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Com novo técnico, Tsonga curte Brasil e quer melhorar "cabeça"

14 dez 2012
09h52
atualizado às 10h57
Henrique Moretti

Jo-Wilfried Tsonga já foi um nome temido no circuito da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), mas teve uma temporada 2012 para não ser tão lembrada. O francês conquistou os ATPs 250 de Doha e Metz e terminou o ano como número 8 do mundo, mas venceu apenas uma das 16 partidas disputadas contra integrantes do top 10 do ranking mundial. Um problema de "cabeça", segundo ele, que espera corrigi-lo para voltar a brilhar em 2013.

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Entre os atuais top 20 do ranking, somente Tsonga, o checo Tomas Berdych, o argentino Juan Martín del Potro e o francês Gilles Simon bateram pelo menos uma vez na carreira todos os quatro mais bem posicionados da lista: Novak Djokovic, Roger Federer, Andy Murray e Rafael Nadal. O sérvio, o suíço, o britânico e o espanhol também venceram partidas mutuamente.

"O ano de 2012 não foi minha melhor forma, acho que (o problema) foi minha cabeça. Eu estava realmente focado em Roland Garros (perdeu para Djokovic nas quartas de final) e não joguei o suficiente para bater os caras de ponta", afirma Tsonga, que na última semana participou de duas exibições no Brasil: venceu o brasileiro Thomaz Bellucci e perdeu para Federer.

Para melhorar a parte mental, o francês conta com uma novidade. Em outubro passado, começou a trabalhar com o australiano Roger Rasheed, que se tornou conhecido no circuito especialmente por treinar dois jogadores de linha de base, o australiano Lleyton Hewitt e o francês Gael Monfils; um estilo bem diferente da agressividade de Tsonga, que saca muito forte e procura a definição rápida dos pontos atacando com o forehand ou subindo à rede.

"Roger trabalhou com Lleyton e Gael, que eram jogadores defensivos, mas Gael melhorou muito ofensivamente e jogou seu melhor tênis com ele", diz Tsonga, citando o compatriota que foi o número 7 do mundo em 2011 e agora é o 77, após ter a temporada prejudicada por uma lesão no joelho direito.

Tsonga foi acompanhado pelo francês Eric Winogradsky por oito anos até abril de 2011, quando optou por viajar sem treinador alegando que queria recuperar a "espontaneidade" em seu jogo. A tática deu certo a princípio, e no fim daquela temporada ele foi semifinalista de Wimbledon, vice-campeão do Masters 1000 de Paris e do ATP Finals de Londres, quadrifinalista do Aberto dos Estados Unidos e campeão dos ATPs 250 de Mets e Viena.

Como consequência, chegou à melhor posição na história do ranking, a quinta, em fevereiro passado, antes de cair de nível e voltar a perder terreno na lista. "Tênis é mais sobre a cabeça do que sobre tênis. Acho que Roger será para mim um bom técnico mental e me motivará muito", afirma.

Tsonga utilizou as exibições no Brasil como parte do treinamento para o próximo ano. Disse que o calor do Ginásio do Ibirapuera ajudará na adaptação ao Aberto da Austrália, primeiro Grand Slam de 2013, e classificou a experiência no País como "fantástica" após interagir com crianças do projeto social Favela Open, dançar Ai se eu te pego em quadra, receber acessórios indígenas, colocar um pegador de bolas para enfrentar Federer e distribuir autógrafos para os fãs.

Ele ainda disputa um novo amistoso neste sábado, desta vez em Bogotá contra o mesmo suíço, antes de retomar os treinos da pré-temporada. Agora que seu aproveitamento na carreira contra os top 10 caiu para 35,6% (são 26 vitórias e 47 derrotas), a esperança é voltar a atormentar os gigantes do tênis. Sem uma fórmula mágica, o francês só conhece uma alternativa: "você nunca tem a garantia de que vai ser um jogador melhor; o que você pode fazer é trabalhar, trabalhar e trabalhar".

No Brasil, Tsonga recebeu acessórios indígenas e chamou pegador de bolas para enfrentar Federer
No Brasil, Tsonga recebeu acessórios indígenas e chamou pegador de bolas para enfrentar Federer
Foto: Bruno Santos / Terra
Fonte: Terra
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