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Após drama, Bruno Soares curte fama com título de Grand Slam

22 set 2012
06h50
Henrique Moretti

Bruno Soares, 30 anos, acaba de completar dois sonhos da carreira: foi campeão do Aberto dos Estados Unidos em duplas mistas e ajudou o Brasil a voltar ao Grupo Mundial da Copa Davis. Agora, o mineiro de Belo Horizonte curte uma fama inédita por onde passa, especialmente nos aeroportos, e confirma ter vivido um "mês especial" - tudo isso depois de ter um primeiro semestre complicado, que terminou com a perda do pai após um acidente vascular cerebral (AVC).

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Em 6 de setembro, Soares se sagrou, ao lado da russa Ekaterina Makarova, campeão do US Open nas duplas mistas ao bater o polonês Marcin Matkowski e a checa Kveta Peschke por 2 sets a 1, parciais de 6/7, 6/1 e 12/10, na final do torneio em Nova York, no Arthur Ashe Stadium. Ele se tornou o quinto brasileiro a triunfar em um dos quatro Grand Slams, em feito que teve uma repercussão maior do que a imaginada para ele.

"Na verdade eu não tinha muita expectativa e realmente fiquei impressionado com a repercussão. Pessoas que não entendem nada de tênis, só pelo fato de ser um torneio de expressão tão grande, vêm falar comigo", diz Soares, em entrevista por telefone ao Terra. Um dos lugares em que ele mais pôde comprovar essa tese foi nos aeroportos. "Eu viajo ano inteiro e raramente alguém me parava para falar alguma coisa, muita gente tirando foto essas últimas vezes, você vê a força desse título".

Depois da conquista, Soares recebeu muitas mensagens também de "pessoas envolvidas no tênis", incluindo uma ligação de Gustavo Kuerten. Antes do mineiro, o ex-número 1 do mundo era o último brasileiro a triunfar em um Grand Slam como profissional, com o tricampeonato de Roland Garros em 1997, 2000 e 2001. Os outros são Maria Esther Bueno (campeã sete vezes em simples, 11 em duplas femininas e uma em duplas mistas entre 1960 e 1968) Thomaz Koch (campeão em duplas mistas com a italiana Fiorella Bonicelli em Roland Garros 1975). No juvenil, o País ainda teve Tiago Fernandes como o vencedor do Aberto da Austrália de 2010.

Soares foi número 10 do ranking juvenil de simples em 2000 e atingiu a 221ª posição da lista profissional da modalidade em 2004. Ele passou a se dedicar quase exclusivamente às duplas em 2008 e quando participa das mistas, nos Grand Slams, descarta utilizar o evento como preparação ao circuito do qual é especialista e em que atualmente faz parceria com o austríaco Alexander Peya.

"É um torneio dificílimo e entro sempre para ganhar e realizar um sonho, como aconteceu agora. Se não estou bem não jogo, considero dois torneios separados", afirma. Pelo título, ele dividiu com Makarova um prêmio de US$ 150 mil - até aqui na temporada, o mineiro soma US$ 134.250 nas duplas masculinas, enquanto que na carreira inteira tem US$ 1.023.848.

Ao lado da russa, Soares já havia atuado em Wimbledon e Roland Garros, em 2011, e não deveria fazê-lo no Aberto dos EUA. Ele tinha se compromissado com a australiana Jarmila Gajdosova (número 40 do mundo em duplas), sua companheira nos quatro Grand Slams anteriores, mas montou uma nova parceria "aos 45 do segundo tempo" pois a antiga não teria o ranqueamento suficiente para entrar na chave do evento - Makarova é a 17ª colocada da modalidade WTA.

Campeão, Bruno ainda completou um "mês especial" em setembro, conforme define, ajudando o Brasil a retornar ao Grupo Mundial da Copa Davis pela primeira vez desde 2003. Em 15 de setembro, ele e seu antigo parceiro no circuito profissional, Marcelo Melo, superaram os russos Alex Bogomolov Jr. e Teimuraz Gabashvili por 3 sets a 0, parciais de 7/5, 6/2 e 7/6 (9-7), fechando o confronto da repescagem, realizado em São José do Rio Preto.

"Foi um mês muito especial para mim, consegui realizar grande sonho, ganhar um Grand Slam, e conquistar um grande objetivo que não só eu, mas todo o Brasil tinha", afirma. Entre 1º e 3 de fevereiro de 2013, o País retornará à elite da Davis enfrentando na primeira rodada os Estados Unidos, fora de casa.

Antes disso, Soares pensa em terminar bem o ano. Na última terça-feira, quando atendeu a reportagem do Terra, ele preparava os últimos detalhes para viajar à Malásia, onde a partir da próxima semana inicia a série de torneios do fim da temporada ao lado do austríaco Alexander Peya. O brasileiro, ex-número 14 do mundo em simples e atual 23, iniciou bem o ano jogando com o americano Eric Butorac - eles venceram o Brasil Open em fevereiro, mas caíram de rendimento em meio ao período que coincidiu com a morte de Malthus Antônio Soares, pai do tenista.

"Tive um belo começo com o Butorac, depois no saibro não fomos tão bem e tive alguns problemas pessoais também, meu pai ficou doente", lembra. No início de junho, o pai de Bruno, que lutava contra um câncer no pulmão, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e morreu após passar dois dias no hospital. Ele não pôde ver o filho realizar o "grande sonho" de triunfar no Aberto dos EUA.

Ao lado da russa Makarova, Soares conquistou o Aberto dos EUA nas duplas mistas
Ao lado da russa Makarova, Soares conquistou o Aberto dos EUA nas duplas mistas
Foto: Getty Images
Fonte: Terra

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