Grand Slam

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20 de janeiro de 2013 • 12h43 • atualizado às 14h15

Em jogo espetacular de 5h, Djokovic vira e faz Wawrinka chorar

Em êxtase, Djokovic rasga camisa após vencer Wawrinka; sérvio pega Berdych nas quartas de final
Foto: Getty Images
 

O sérvio Novak Djokovic superou uma batalha de cinco horas e dois minutos para chegar às quartas de final do Aberto da Austrália. Líder do ranking mundial, ele encontrou um grande desafio no suíço Stanislas Wawrinka, 17º colocado da mesma lista. A partida só foi definida no quinto set, que é longo e não tem tie-break, em parciais de 1/6, 7/5, 6/4, 6/7 (5-7) e 12/10.

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Em troca de bolas alongada e de alto nível, o match point resumiu bem o que foi a partida. Após colocar o segundo serviço, Wawrinka se defendeu de ataques de Djokovic e passou a dominar o ponto. Após um grande forehand na paralela, o suíço só não ganhou o ponto devido a uma grande defesa de slice do sérvio. Wawrinka subiu à rede também com um slice, na cruzada, e tomou uma passada de backhand na cruzada curta, que bateu dentro da linha do T, levando o adversário ao chão.

Na sequência, Wawrinka deixou a quadra bastante aplaudido e chorando. Ele perdeu a oportunidade de alcançar apenas a terceira quartas de final de Grand Slam na carreira, depois do Aberto dos Estados Unidos de 2010 e do Aberto da Austrália de 2011. Djokovic teve ameaçada uma longa sequência de classificações seguidas às quartas de final de um major, mas ao final avançou - ele não cai até as oitavas em um torneio desse nível  desde Roland Garros 2009. 

Vitorioso, Djokovic rasgou sua camiseta preta em plena quadra, gritando e comemorando muito após cumprimentar Wawrinka e o árbitro de cadeira. O gesto foi o mesmo feito pelo número 1 do mundo na final do Aberto da Austrália do ano passado, quando ele superou o espanhol Rafael Nadal por 3 sets a 2, com parciais de 5/7, 6/4, 6/2, 6/7 (5-7) e 7/5, em cinco horas e 53 minutos. Essa é a partida mais longa da história da competição.

O jogo deste domingo invadiu a madrugada de sgeunda-feira em Melbourne, onde os torcedores permaneceram na Rod Laver Arena até quase as 2h da manhã para acompanhar o duelo. Wawrinka mostrava problemas físicos desde o quarto set, quando pediu atendimento médico pela primeira vez para dores na parte interna da coxa direta.

Mesmo assim, o suíço venceu o tie-break e começou muito bem a quinta parcial, quebrando o serviço do adversário para fazer 1/0. Após desperdiçar duas chances de confirmar o saque, Wawrinka cedeu nova quebra. No quinto set, o suíço perdeu sete de oito break points, incluindo quatro quando Djokovic servia em 4/4.

Depois disso, ambos os tenistas já mostravam cansaço e não tiveram nenhuma chance de quebra até o 24º game, quando Djokovic conseguiu a passada de backhand para converter seu terceiro match point. Antes disso, Wawrinka havia desperdiçado uma vantagem de 40-15 e mais dois game points para confirmar o saque. O suíço também havia sido corajoso nos dois match points anteriores, salvando um com um bom primeiro serviço e outro com um winner de backhand na paralela.

Djokovic entrou em quadra como favorito pelo ranking e pelo grande retrospecto diante de Wawrinka, contra quem obteve a 11ª vitória seguida em 13 jogos já disputados no circuito profissional - soma duas derrotas, ambas em 2006.

O suíço se mostrou disposto a ignorar o confronto direto desde o início do jogo. Mostrando um tênis agressivo a partir de seu backhand de uma mão, ele venceu o primeiro set por 6/1 e emendou uma sequência de cinco quebras de serviço seguidas sobre Djokovic até abrir 4/1 no segundo. O sérvio mostrava dificuldade de movimentação em quadra, com alguns escorregões desde a primeira parcial, e nesse momento resolveu trocar os tênis por calçados novos. Mais tarde, o compatriota de Roger Federer sacou em 5/3 e 30-0 para definir o segundo set, mas uma série de erros recolocou o sérvio na partida.

Antes acuado e sendo obrigado a correr muito de um lado para o outro, Djokovic passou a apostar em bolas altas e contou com erros não forçados do rival para vencer o set. Com mais confiança, o sérvio ganhou em agressividade e abriu 1/0 no terceiro set com um novo break point convertido, mas permitiu a devolução na sequência. O líder do ranking conseguiu se impor novamente no nono game para abrir vantagem e sacar em 5/4 para fazer 2 sets a 1.

Wawrinka desperdiçou chances de quebra nos dois primeiros games de saque do sérvio no quarto set, mas não desanimou. Sacando bem, ele anotou 16 aces e ganhou 68% dos pontos disputados com o primeiro serviço. Assim, manteve-se vivo na partida apesar dos problemas físicos que pareciam aumentar. Ele dominou o tie-break desde o início e levantou a torcida ao converter o terceiro set point, fazendo 7-5 com uma bola vencedora de esquerda na paralela.

Com a Rod Laver Arena em clima bastante quente apesar da chegada da madrugada na Austrália, Djokovic superou a quebra de desvantagem logo no início do quinto set para vencer. Ele conquistou a 18ª vitória em jogos decididos na quinta parcial - tem seis derrotas - e admitiu, em entrevista ainda na quadra, o "flashback" ao se lembrar da vitória sobre Nadal na final do ano passado. 

Com o resultado, o sérvio, 25 anos, segue em busca de fazer história no Aberto da Austrália. Campeão do evento em 2008, 2011 e 2012, ele pode se tornar o primeiro tenista a triunfar em Melbourne três vezes consecutivas na história da Era Aberta. Apenas os australianos Jack Crawford (tricampeão entre 1931 e 1933) e Roy Emerson (pentacampeão entre 1963 e 1967) conseguiram o feito, mas o fizeram antes da Era Aberta, que começou em 1968 e marca a entrada dos profissionais nos Grand Slams.

O próximo rival de Djokovic, em partida marcada para a próxima terça-feira, é o checo Tomas Berdych. Número 5 do mundo, Berdych eliminou o sul-africano Kevin Anderson, o 31, por 3 a 0, com parciais de 6/3, 6/2 e 7/6 (15-13). O checo venceu em duas horas e 44 minutos, sendo que apenas a terceira parcial durou 88 minutos - o quinto set entre Djokovic e Wawrinka teve 104 minutos de duração.

Uma vitória sobre Berdych garantirá ao sérvio a permanência no topo do ranking mundial, ignorando a ameaça de Federer, que está localizado na outra chave do Aberto da Austrália. O retrospecto é favorável ao número 1 do mundo com 11 vitórias, sendo nove seguidas, e uma derrota. 

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