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Diferentemente do futebol - paixão nacional que revela pelo menos um ídolo por ano -, Gustavo Kuerten e Maria Esther Bueno foram os únicos a alcançar a glória internacional com as raquetes. As conquistas do catarinense ainda lançaram a "Gugamania" e diversas escolas de tênis pelo País, mas a empolgação já não é a mesma e o esporte retorna rapidamente aos guetos da elite brasileira.
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Anos depois do entusiasmo, as escolinhas de formação já não têm tantos alunos e muitas tiveram que fechar as portas. Assim, o Brasil fica à espera de mais uma surpresa esporádica, enquanto observa com nostalgia a despedida do jovem esguio e com pinta de surfista, que surpreendeu ao vencer o Grand Slam de Roland Garros pela primeira vez em 1997.
Como na Fórmula 1, que perdeu Ayrton Senna de forma trágica, os ídolos são dificilmente substituídos com rapidez pelos torcedores dos esportes menos populares. Não tanto pela dedicação, mas pela falta de atletas que consigam chegar ao mesmo patamar.
Um dos poucos tenistas que ganharam o carinho dos brasileiros ao lado de Guga, Fernando Meligeni acredita que o Brasil dificilmente terá novamente um tenista disposto a abdicar de outros interesses para buscar o topo. "Nunca mais teremos outro número 1 do mundo. Não é ser pessimista. É ser realista", afirmou recentemente em seu blog oficial.
Apontado no passado como uma das esperanças, Flávio Saretta foi vaiado pela torcida ao eliminar um Guga em recuperação, no Aberto do Brasil, em 2007, e conquistou alguns meses depois a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Recuperando-se de uma contusão por estresse, o paulista, 27 anos, ocupa atualmente a 505ª colocação do ranking e planeja voltar às quadras em junho.
Ainda na cola do sucesso de Guga, o campineiro Ricardo Mello alcançou o posto de 50º tenista do mundo em 2005. No entanto, manteve a posição apenas por uma semana e agora aparece em 213º. Nos três anos seguintes, os fãs do tênis nacional não viram outro jogador entre os 80 melhores, até a ascensão de Marcos Daniel, 29 anos, e Thomaz Bellucci, 20 anos, no início de 2008. Os dois brigam atualmente pelo título de melhor do País, com uma vantagem para o jovem Bellucci, em 75º no ranking mundial, duas posições à frente de Daniel.
Natural de Passo Fundo (RS), Daniel contou neste ano com o título do Challenger de Bogotá, um vice em Napoli, e as quartas-de-final em Houston para alcançar o melhor posto da carreira. Mas não foi suficiente para superar o paulista de Tietê, que galgou 113 posições desde o início da temporada, depois de vencer os Challengers de Tunis, Santiago, Florianópolis e Rabat, além de chegar às quartas em São Paulo e Bordeaux.
Já nas duplas, os amantes do tênis tiveram um gostinho de vitória em 2007 com André Sá, 31 anos, e Marcelo Melo, 24 anos, que chegaram às semifinais de Wimbledon e conquistaram o Torneio de Estoril. A parceria já levantou três taças nesta temporada - em Adelaide, na Costa do Sauípe e em Portschach - e ocupa o 12º lugar do ranking de duplas da ATP.
Pensando no futuro do esporte e no seu sucessor, Guga resolveu usar sua influência para conseguir patrocínios - escassos aos iniciantes - e fomentar o desenvolvimento do tênis no País. Recentemente, o atleta lançou um projeto de incentivo a crianças e adolescentes, que deve beneficiar inicialmente 500 crianças de Santa Catarina e depois se estender a outros Estados. Resta a esperança de que o próprio Guga seja capaz de mostrar o caminho para um jovem com a ambição de se tornar ídolo.
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