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Guga
Domingo, 25 de maio de 2008, 12h45  Atualizada às 00h18
Com 20 títulos, Guga coloca nome junto a Maria Esther
 
Getty Images
Guga encerra carreira com 20 títulos e mais de US$ 14 mi em prêmios
Guga encerra carreira com 20 títulos e mais de US$ 14 mi em prêmios
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Qualquer que fosse o resultado em Roland Garros, o final seria o mesmo: Gustavo Kuerten encerra a carreira no palco que o consagrou, em Paris, e é considerado o maior tenista brasileiro da era aberta. O outro grande nome do esporte no País, Maria Esther Bueno, levou quatro títulos do Aberto dos Estados Unidos e três em Wimbledon, todos na época considerada amadora.

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Com o anúncio oficial da aposentadoria aos 31 anos, Guga encerra a carreira com 358 vitórias em partidas individuais, 20 títulos no circuito de simples da ATP, outras oito taças levantadas em torneios de duplas e 43 semanas como líder do ranking mundial. Números tão impressionantes quanto os mais de US$ 14 milhões em prêmios acumulados (cerca de R$ 24 mi).

Já Maria Esther chegou a 35 finais de Grand Slams, foi campeã sete vezes nos torneios de simples e onze vezes nas duplas, totalizando 19 conquistas nos principais torneios do circuito mundial de tênis. Nas temporadas de 1959/60, a brasileira foi eleita a maior atleta feminina do mundo e seguiu entre as dez melhores até 68.

Se por um lado a glória foi tão grande - ou até maior - quanto a de Guga, o mesmo não pode ser dito da conta bancária: há 40 anos o campeão só levava para casa um troféu. Mesmo com os feitos que a levaram ao Hall da Fama do esporte e às honras de ser considerada uma das maiores atletas do século 20, a tenista não chegou nem perto do que o catarinense conseguiu em seus seis primeiros anos como profissional.

Do primeiro título de Grand Slam em 1997 até o problema nos quadris em 2002, Guga fez muito mais do que derrotar nomes como Pete Sampras, Roger Federer, Thomas Muster, Yevgeny Kafelnikov e Sergi Bruguera. A "Gugamania", inaugurada após o triunfo na terra batida parisiense, tornou o tênis um esporte bem mais popular no Brasil, que já havia "esquecido" os efeitos do reinado de Maria Esther.

Treinado por Larri Passos, o tenista sorridente e cabeludo conquistou o carinho dos brasileiros ao vencer Roland Garros e seguiu sua escalada em 1998, com troféus erguidos em Stuttgart e Mallorca. No ano seguinte, o catarinense atingiu o patamar de Maria Esther, quando chegou às quartas-de-final em Wimbledon e terminou a temporada entre os dez melhores do mundo.

O salto foi ainda maior em 2000. Os títulos obtidos, entre eles o bi em Roland Garros e a Masters Cup - torneio que reuniu os oito melhores da temporada em Lisboa -, colocaram Guga no topo do ranking. Ele ocupou a posição em uma época na qual atuavam Pete Sampras e Andre Agassi, duas lendas da história do tênis. Mais do que isso, o brasileiro chegou à liderança da lista da ATP com vitórias justamente sobre eles, na Masters Cup.

Em 2001, o ano mais vitorioso da carreira, com seis títulos, e o início dos problemas. O tri de Roland Garros esteve perto de escapar nas oitavas-de-final, mas Gustavo Kuerten salvou um match point no terceiro set contra o norte-americano Michael Russell e virou o jogo. Após essa partida e a final diante de Alex Corretja, desenhou um coração no saibro em sinal de gratidão ao apoio do povo francês em seu torneio favorito.

Depois de superar a dor no ano anterior, Guga foi submetido a uma cirurgia no quadril em fevereiro de 2002 e voltou às quadras após dois meses, mas não conseguiu manter o nível que estava acostumado a apresentar. Daí em diante, alternou bons momentos, como os títulos na Costa do Sauípe (2002 e 2004) e o de São Petersburgo (2003), e dificuldades causadas pela lesão, que levaram a nova cirurgia, em 2004.

O mesmo problema nos quadris acometeu Maria Esther, por sorte, bem depois da aposentadoria. Sem conseguir largar o tênis depois da retirada do circuito mundial, a atleta também precisou passar por uma operação no local, em 1992, e novamente em 2001 - ano em que o problema se agravou para Guga. Assim como o catarinense, a tenista mostrou sua força de vontade característica e voltou a participar de clínicas e apresentações.

Tentando superar a dor física e mental, o tricampeão de Roland Garros resistiu até o início deste ano, quando anunciou oficialmente sua turnê de despedida, que culminou no evento francês. Em todos os torneios que disputou em tom de adeus, as homenagens foram sempre maiores que as derrotas quase certas. Do mesmo modo, Guga será sempre lembrado como um dos maiores do esporte nacional.
 

Redação Terra