| Reuters |
 Federer segue com sede de títulos |
|
Enquete |
Federer é o melhor tenista da história?
|
 |
|
|
 |
Busca |
|
Busque outras notícias no Terra:
|
 |
|
Depois de estender ainda mais a sombra que lança sobre o tênis, Roger Federer tomou o microfone no domingo para agradecer; ele congratulou o oponente a quem derrotou no Western & Southern Financial Group Masters, Novak Djokovic; e agradeceu os organizadores do torneio; os voluntários que trabalharam no evento; e os torcedores.
» Safina segue líder
» Federer é campeão em Cicinnatti
» Dementieva é campeã em Toronto
» Federer segue como nº 1
Mas depois se desviou do velho roteiro para esse tipo de ocasião e agradeceu Charlene e Myla, suas filhas gêmeas de dois meses de idade, elogiando seu espírito esportivo. Elas chegaram mais de duas semanas antes da data prevista, em 23 de julho, e isso permitiu que Federer dedicasse atenção à temporada de verão, cujo evento culminante será o US Open, com abertura marcada para a próxima segunda-feira, 31 de agosto.
Teria sido compreensível que Federer perdesse um pouco a vontade de vencer depois de estabelecer um novo recorde ao conquistar sua 15ª vitória em torneios do Grand Slam, em Wimbledon, e depois ajudar sua mulher, Mirka, no parto das primeiras filhas do casal.
Mas o instinto competitivo de Federer é ainda maior do que o seu gênio, o que se aplica a relativamente poucos superastros do esporte, entre os quais Tiger Woods e Kobe Bryant, Michael Phelps e Candace Parker.
Federer batalha mesmo quanto está disputando um evento menor. A concentração que tem demonstrado em um verão repleto de distrações para ele, apesar dos resultados maravilhosos, propiciou ao tênis masculino um peso que vem faltando às disputas femininas.
Ele participou do histórico momento, no Canadá, em que os oito primeiros classificados no ranking masculino do tênis chegaram juntos pela primeira vez a uma quarta de final, um acontecimento inédito desde que a ATP estabeleceu seus rankings em 1973. Na mesma semana, o torneio da WTA, aqui no Ohio, não incluía entre suas oito finalistas as irmãs Serena e Venus Williams, derrotadas na terceira rodada.
A vitória de Federer contra Djokovic por 2 sets a 0, no domingo, foi o primeiro título dele em quadra de cimento na temporada 2009. Depois do chocante colapso que sofreu diante de Jo-Wilfried Tsonga nas quartas de final em Montreal, Federer não encontrou dificuldade diante de Djokovic, depois de passar com igual facilidade por Andy Murray na semifinal. Algumas de suas jogadas na final foram tão sublimes que tudo que Djokovic podia fazer era arregalar os olhos ou aplaudir.
"O mais perto que consegui chegar do troféu do torneio foi agora", disse Djokovic, brincando, em entrevista a Mary Joe Fernandez, da rede de TV CBS, durante a cerimônia de encerramento.
Os melhores jogadores do tênis masculino aproveitaram as duas últimas semanas para solidificar suas posições, e atraíram manchetes quanto ao último torneio de Grand Slam da temporada. Mas do lado feminino, nenhuma das jogadoras vem despertando grande entusiasmo no mundo do tênis. Depois da vitória de Jelena Jankovic, a quarta colocada no ranking feminino, aqui em Ohio, uma semana atrás, no domingo Elena Dementieva, que ocupa o quinto posto no ranking, venceu em Toronto, superando Maria Sharapova por dois sets a zero. Sharapova, que chegou a liderar o ranking feminino, estava disputando sua primeira final desde que retornou, em maio, depois de uma cirurgia no ombro.
Nenhuma das duas irmãs Williams venceu um torneio depois da final entre as duas em Wimbledon, no mês passado; Venus foi a única das duas a disputar um título no período, perdendo para Marion Bartoli no Bank of the West Classic.
Serena e Venus Williams são as maiores estrelas do tênis feminino, mas, por qualquer que seja o motivo, as grandes partidas entre elas parecem acontecer apenas nos maiores torneios, como se jogassem de forma tanto mais intensa quanto mais refletores as seguissem.
Serena, a segunda colocada no ranking mundial, só enfrentou a líder do ranking, Dinara Safina, uma vez, desde a semifinal do US Open do ano passado ¿na final do Australian Open deste ano (Williams venceu as duas partidas). Em contraste, Federer enfrentou Andy Williams (que recentemente conquistou a segunda posição no ranking masculino) cinco vezes, desde a final do US Open do ano passado.
Serena Williams não joga contra Jankovic, que começou o ano na primeira posição do ranking feminino, desde que a derrotou na final do US Open de 2008. Federer jogou contra Nadal, o líder do ranking masculino no início de 2009, por duas vezes este ano.
Porque Federer, 28, não demonstrou sinais de complacência depois de passar 245 semanas não consecutivas no topo do ranking, seus adversários tampouco podem relaxar.
Por diversos dias, antes e depois do nascimento de suas filhas, Federer passou a maior parte de seu tempo no hospital de Zurique, sua vida transformada em um limbo de antecipação.
"Mas eu não deixei de treinar, é claro ¿quase todos os dias, exceto no dia do nascimento e logo depois", ele declarou no domingo. "Meu preparador físico está realmente contente com a dedicação que demonstro".
As irmãs Williams há anos dividem o seu tempo entre o tênis e os múltiplos outros interesses que adquiriram: moda e design de interiores (Venus), cinema e literatura (Serena). Não existe nada mais difícil do que conciliar paternidade e carreira, mas no primeiro mês de vida de suas filhas Federer não parecia estar enfrentando qualquer dificuldade para essa conciliação. "Bem, eu tenho de dizer que estou tentando me adaptar à situação", disse Federer. "Estou tentando ser um bom pai, e acho que estou me saindo bem".
Federer é o motivo para que a força e a qualidade do tênis masculino tenham atingido seu pináculo atual. Todos os adversários se veem forçados a um esforço adicional, se desejam acompanhá-lo. Quando os oponentes se pronunciam, como Djokovic fez no domingo, sobre a pressão que Federer aplica, eles não se referem estritamente ao que acontece em quadra. Djokovic, derrotado por Federer nos dois últimos US Opens, contratou Todd Martin, um ex-jogador norte-americano que disputou uma final do torneio, para treinar contra ele.
É por isso que a grande esperança britânica do tênis, Andy Murray, o único jogador que não Federer ou Nadal a chegar ao segundo posto do ranking masculino nos últimos quatro anos, está passando suas semanas de folga em Miami, treinando duas vezes por dia sob o sol inclemente.
A onipresença de Federer ajuda a explicar por que Nadal passou três horas treinando apesar do calor impiedoso, no dia anterior à abertura do torneio do Ohio. Ele sabe que precisa apurar suas cortadas, depois de quase dois meses afastado das quadras devido a uma lesão de joelho, se deseja continuar acompanhando Federer naquela que pode ter se tornado a melhor rivalidade do mundo do esporte moderno.
O quinto colocado do ranking, Andy Roddick, deseja tanto escapar à longa sombra de Federer que já passou por quatro técnicos diferentes, desde que liderou o ranking pela última vez, em 2003, procurando por novas perspectivas em seu esforço por aproveitar ao máximo o seu talento.
Pode-se dizer, como Djokovic repetiu no domingo, "é, infelizmente eu nasci na era errada". Mas as dificuldades que os tenistas precisam enfrentar na acirrada disputa masculina são um prêmio para o esporte.
Tradução por Paulo Migliacci.
|