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Aberto dos EUA
Quarta, 9 de setembro de 2009, 09h57  Atualizada às 12h23
EUA se perguntam por que não surgem "novas Williams"
 
William C. Rhoden
 
Reuters
Serena, e a irmã Venus, ainda reinam absolutas nos EUA
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Quando Venus Williams despontou no tênis há mais de uma década, autoridades do esporte previram um impacto de longo alcance: levas de jovens jogadores afro-americanos de lugares como Compton, Califórnia, e Harlem estariam jogando no tênis mundial.

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Mais de uma década depois, Venus e sua irmã Serena continuam a dominar um esporte que ainda aguarda a ascensão ao palco mundial de jovens afro-americanas de áreas urbanas. Por que não surgiu outra Venus ou Serena? A questão é colocada em cada US Open e nunca parece haver uma resposta plausível.

"Na verdade, também tenho pensado sobre isso, me perguntando o porquê e procurando por outras", disse Oracene Price, mãe das duas, em entrevista telefônica na segunda-feira. "Eu esperava que alguém seguisse seus passos, mas aparentemente essa esperança meio que está desaparecendo. É uma decepção".

Price e seu ex-marido, Richard Williams, protagonizaram uma das grandes sagas da história do tênis: a ascensão de Venus e Serena Williams. Treinadas por seu pai, as irmãs começaram jogando em quadras públicas em Compton e cresceram para dominar o tênis feminino. Mas por que seu sucesso não foi replicado?

Estudos indicam que mais moças se mostraram interessadas no jogo durante o reinado das Williams. Poucas, porém, se mantêm no esporte ¿ menos ainda em lugares onde o alto desemprego e a falta de recursos e de visibilidade inviabilizam uma carreira no tênis. "Você escuta um nome, mas ninguém sobrevive", disse Price.

Este ano, Kevin Clayton foi contratado como o oficial-chefe de diversidade da USTA, a Associação Americana de Tênis. Sua missão é iniciar um esforço agressivo para atrair mais jogadores que se assemelhem à população em transformação dos Estados Unidos.

"Nossa imagem como um setor não se ligou de verdade a essa comunidade", disse Clayton na segunda-feira. "Não houve um esforço focado na afirmação de que o tênis é para todos".

Clayton disse que a USTA, com a melhor das intenções, aparecia em locais como Harlem e Bedford-Stuyvesant, botava raquetes na mão de crianças e chamava aquilo de diversidade.

A associação entendeu que é necessário um investimento mais profundo nas comunidades, procurando atletas potenciais e formando relacionamentos empresariais. Clayton está entrando em contato com faculdades e universidades historicamente negras, fraternidades e clubes femininos de afro-americanos e importantes organizações sociais para disseminar o tênis.

A USTA poderia usar a orientação e o conselho de duas pessoas que romperam os padrões e criaram duas campeãs. A organização deveria formalizar sua relação com Oracene Price e Richard Williams. Não existe título vasto o bastante para englobar o que eles fariam, mas vamos chamá-los de ministros do tênis, responsáveis por dar ao esporte seu muito esperado impulso em áreas carentes.

Price e Williams são divorciados, mas os dois têm as respostas para muitas das perguntas da USTA sobre como atrair grandes números de jogadores afro-americanos - especialmente garotas - e torná-los campeões.

Williams faz mais o perfil de guru do treinamento, um olheiro que reconhece o talento. Price pode preparar moças para os rigores do tênis mundial, como fez com suas filhas. Os maiores desafios dessas meninas não têm nenhuma relação com o que lhes espera na quadra. As jogadoras encontradas e orientadas por Price e Williams entrariam em um mundo estranho, normalmente desconfortável, inicialmente intimidador e hostil ¿ muitas vezes sem a intenção de ser.

Price e Williams ajudaram Venus e Serena a negociar com esse mundo, algo que fizeram na maioria das vezes sob seus próprios termos.

"É um mundo totalmente diferente", disse Price. "Se não souberem como enfrentá-lo e lidar com as coisas que vão precisar lidar, não vão conseguir".

"Se elas não conseguem se posicionar como mulheres, sem ler sua própria imprensa, elas não vão conseguir". Eles podem fazer o mesmo por uma população inexplorada de jogadores que a USTA deseja ter como alvo.

Os programas da associação são louváveis e geralmente academias de tênis são cruciais, mas se as irmãs Williams demonstraram algo foi que as maiores batalhas são combatidas e vencidas na mente.

"Isso não se limita a programas", disse Price. "É preciso treinar suas cabeças. Isso exige muita habilidade mental. Eles precisam estar preparados para altos e baixos, tudo. Se não forem capazes de fazer isso ou não firmarem um compromisso com isso, então vai ser difícil".

Normalmente se fala que a realidade econômica torna o tênis inacessível a muitos. O dinheiro pode estar sendo superestimado.

"Existe como contorná-lo", disse Price. "Você não precisa ter uma academia, aquilo é só um bando de gente batendo bola. Qualquer um pode aprender a bater em uma bola, o importante é o que você possui por trás da bola e o tipo de mente que tem quando a bate".

Onde estarão as próximas Venus e Serena? Os pais delas podem ser bons juízes de onde e como procurar.


 

The New York Times