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Tenistas

 
 

Ex-aposentado, "sparring" sonha em repetir feito de Bellucci

13 de julho de 2008 13h26 atualizado às 14h37

Eric durante treinamento com Thomaz Belucci. Foto: Reinaldo Marques/Terra

Eric durante treinamento com Thomaz Belucci
Foto: Reinaldo Marques/Terra

Incentivado pelo pai, o garoto Eric começou a jogar tênis quando criança. Nas quadras, ele ficou amigo de Thomaz. Ambos cresceram juntos, um de cada lado da rede, mas suas carreiras tomaram caminhos totalmente diferentes. Enquanto Thomaz Bellucci se classificou para os Jogos Olímpicos de Pequim como melhor brasileiro no ranking da ATP, Eric Gomes tomou a decisão de se aposentar precocemente no final do ano passado, desiludido e com dificuldades financeiras.

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Para conseguir recursos e manter sua carreira, Eric disputava torneios amadores que ofereciam prêmios em dinheiro. Os organizadores costumavam telefonar para o atleta pensando em elevar o nível de seus campeonatos. Com a verba arrecadada, ele viajava para disputar as competições que valiam pontos no ranking da ATP. Aos 23 anos, o atleta se viu dentro de um círculo vicioso. "Todo mundo falava: você tem potencial, não desiste, você tem talento, mas uma hora você vê que só ter talento e trabalhar duro não adianta", explica.

No final da última temporada, Gomes resolveu abandonar a carreira e chegou a acertar tudo para começar a trabalhar como professor em duas academias. "Decidi parar pelo lado financeiro, até porque meus pais precisam da minha ajuda. Eu estava desmotivado e sentia que não valia mais a pena", afirmou o jogador. Ele adiou a aposentadoria apenas quando conseguiu o patrocínio da Academia Ripol. Sem apoio, Eric oscilava por volta da 700ª colocação do ranking. Agora, aparece no 426º posto da lista, melhor posição de sua carreira.

No começo de suas trajetórias, Eric e Thomaz se enfrentaram três vezes. Gomes chegou a vencer uma partida diante do atual número 1 do Brasil. Na reta final de preparação para os Jogos Olímpicos de Pequim, ambos voltaram a dividir a quadra como nos velhos tempos, desta vez para treinar. Um dia antes de viajar para jogar o Torneio de Indianápolis e o qualifying do Masters Series de Toronto, Thomaz Bellucci bateu bola com o amigo. Do lado de fora da quadra, os jornalistas perguntavam: "quem é o sparring?".

"Não é um sparring, o treino é para os dois jogadores", corrige Thomaz Bellucci. Protagonista de uma ascensão meteórica nos últimos anos, o tenista apontado como sucessor de Gustavo Kuerten aposta no sucesso do amigo. "Nós fomos crescendo e evoluindo juntos. Ele está bem fisicamente e tem uma boa direita. O Eric tem condições chegar entre os 200, 100 melhores do mundo. É um jogador dedicado e esforçado. Ele tem condições para se dar bem no tênis", diz o atleta.

Em menos de um ano e meio, Thomaz Bellucci ganhou mais de 500 posições no ranking de entradas da ATP. Em 2007, ele era o 582º da lista. No final da temporada, se tornou o 202º. Neste ano, foi campeão de quatro challengers e conquistou o 68º lugar no ranking. "Até o ano passado, ele estava praticamente no mesmo lugar que eu", diz Gomes. "Sempre achei que ele seria um bom jogador, mas essa rapidez surpreendeu até a ele", completa o tenista, que aponta uma grande evolução do amigo, principalmente no saque e na devolução.

Feliz pela explosão de Bellucci, Eric viveu a experiência de ver o companheiro dos tempos de criança em torneios do Grand Slam desta temporada. Na quadra central de Roland Garros, ele torceu pelo amigo diante do poderoso Rafael Nadal, futuro campeão do torneio. Na grama do All England Club, viu o compatriota de 20 anos chegar até a segunda rodada. O sucesso repentino que propiciou a escalada de Thomaz no ranking serve para manter vivo o sonho de Gomes.

"Pô, você pensa: 'o cara chegou lá e eu já ganhei dele'. Quando você vê o cara lá fazendo isso, acredita um pouco mais. Você percebe que é um negócio de outro mundo, mas não é impossível. É de outro planeta, mas dá para chegar. Eu venho trabalhando igual a ele, sempre treinando e fazendo tudo certinho. Você tem que ir para cima e se meter, é claro que incentiva", afirma Eric Gomes, que se prepara para disputar o Challenger de Belo Horizonte a partir do dia 26 e pretende encerrar o ano pelo menos no 350º lugar do ranking.

Em uma edição do Campeonato Brasileiro juvenil, Eric Gomes, então com 18 anos, e Thomaz Bellucci, na época com 15 anos, se classificaram para as finais de suas respectivas categorias. Orgulhoso, o pai de Eric bateu uma foto dos garotos juntos. O tenista não lembra mais do resultado das partidas decisivas do torneio disputado no clube do Corinthians, mas ainda guarda a foto como recordação. "Eu gosto muito do Thomaz. Ele está bem preparado e vai mandar bem na Olimpíada", diz Gomes, mais um brasileiro na torcida por Bellucci em Pequim.

Redação Terra