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 Mais vibrante, Bellucci enfrenta "rival íntimo" para quebrar tabu
17 de fevereiro de 2012 07h28 atualizado às 07h37

Bellucci vibra mais que de costume em casa; ele pega tenista treinado por cunhado de seu técnico. Foto: Edson Lopes Jr./Terra

Bellucci vibra mais que de costume em casa; ele pega tenista treinado por cunhado de seu técnico
Foto: Edson Lopes Jr./Terra

Henrique Moretti
Direto de São Paulo

O jogo contra Ricardo Mello na última quarta-feira estava escapando das mãos de Thomaz Bellucci. Ele acabara de perder o segundo set por 6/1 e o rival pressionava seu saque no começo do terceiro. Ele grita, reclama e olha a todo momento para seu box, onde está o técnico Daniel Orsanic. O número 38 do mundo reage, quebra o serviço do adversário, vibra de um jeito ao qual não está acostumado. O fator torcida pesa para essa mudança de comportamento do tenista, que enfrenta um "rival íntimo" por volta das 21h (de Brasília) desta sexta-feira buscando a primeira semifinal de ATP em nove meses: o argentino Leonardo Mayer.

Mayer, que se classificou às quartas de final do Aberto do Brasil ao vencer, na noite de quinta, o francês Jeremy Chardy por 2 sets a 1 (com parciais de 4/6, 7/5 e 6/2) é treinado pelo cunhado de Orsanic, Mariano Hood. A história foi contada pelo técnico de Bellucci ao Terra. "Um dos técnicos do Mayer é o marido da minha irmã (Mariana)", citou.

Argentino, ele começou a trabalhar com Bellucci em dezembro, assumindo o lugar de Larri Passos, ex-Gustavo Kuerten. Apesar da curiosidade envolvendo Mayer, Orsanic nega conhecer tão bem o jogador. "Conheço o (tenista David) Nalbandian bem melhor que o Mayer, mas o Mayer treina com o marido da minha irmã", repetiu, desta vez aos risos. "Então eu conheço ele".

Em São Paulo, Mayer não está acompanhado de Hood e sim de seu outro técnico, Juan Pablo Guzmán. O jogador treina em Buenos Aires na Academia Monachesi & Hood Tenis, cujos donos são o cunhado de Orsanic e Mariano Monachesi. O site da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) ainda lista outro nome, Leo Alonso, como comandante do atleta. "Parece uma equipe de futebol", brincou o argentino em entrevista coletiva, explicando que todos fazem parte da equipe da academia.

Mayer, 24 anos e 1,88 m, tem a mesma idade e a mesma altura de Bellucci e já o enfrentou quatro vezes na carreira: venceu no ATP 250 de Nice, em 2010, e no Challenger de Cuenca, em 2007; perdeu no ATP 250 Nice, em 2010, e no ATP 250 de Estocolmo, em 2009.

"Já o conheço faz muito tempo, já treinamos na Argentina na pré-temporada", disse o argentino, que foi o 51º colocado do ranking mundial há dois anos e agora é o 80º. "É um grande jogador, não é fácil. Ganhei a última partida (em Nice), mas vai ser diferente. É sua casa, com muita gente, vai ser complicado".

Caso repita a atitude tomada especialmente no terceiro set contra Mello, a postura de Bellucci em quadra também vai ser diferente. "Em casa é importante a jogar com a torcida, jogar com as pessoas que estão com você ali na quadra", disse o melhor tenista do País na entrevista após aquela partida. "Geralmente no torneio é você, o técnico e mais ninguém. (Em São Paulo) eu vejo meus amigos - olhar para o box e ver essas pessoas é diferente", completou o atleta, nascido em Tietê, a 121 km da capital paulista.

Uma vitória contra Mayer não seria só importante por ser diante da torcida e valer uma vaga na semifinal de um ATP 250. Caso vença, o brasileiro colocará fim a um tabu, visto que não chega tão longe em nível ATP desde a campanha no Masters 1000 de Madri, no início do último mês de maio, que terminou na penúltima rodada contra o sérvio Novak Djokovic, atual número um do mundo.

Bellucci também não ganha duas partidas consecutivas desde junho de 2011. Naquele mês, superou o búlgaro Dmitry Tursunov na estreia e derrotou o turco Marsel Ilhan na segunda rodada antes de ser eliminado pelo croata Marin Cilic nas oitavas de final do ATP 250 de Queens.

"Nem sabia dessa estatística aí sua", afirmou Bellucci, aparentando certo desdém, quando questionado por um repórter sobre o assunto em coletiva nesta quinta.

"O mais importante é que estou jogando bem, estou me sentindo bem. É uma chance de fazer uma semifinal dentro de casa. Estou mais concentrado no jogo do que em pensar que não ganho dois jogos seguidos há tanto tempo, mas acho que amanhã (sexta-feira) é uma oportunidade de reverter essa estatística", emendou o tenista, que se bater o "rival íntimo" de seu técnico também não precisará mais ouvir perguntas como essa.

Terra