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Derrubadora de tabus, Teliana busca final e se anima com estátua na cidade

23 fev 2013 07h58
| atualizado às 10h32
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<p>Teliana é a primeira brasileira semifinalista de um WTA desde 1990</p>
Teliana é a primeira brasileira semifinalista de um WTA desde 1990
Foto: Gazeta Press

Teliana Pereira se tornou a primeira brasileira desde 1999 a se classificar às quartas de final de um WTA na última quarta-feira e, segundo o site oficial da Associação Feminina de Tênis, provocou a seguinte reação da colega romena Alexandra Dulgheru, ex-top 30 e atual número 480 do mundo: “ela merece uma estátua em sua cidade natal”.

Em entrevista exclusiva concedida ao Terra por e-mail desde Bogotá, Teliana brinca e se mostra animada com a possibilidade. Isso não seria um exagero: na capital colombiana, ela furou o qualificatório e se tornou a primeira brasileira a disputar a chave principal de um WTA desde Maria Fernanda Alves em Los Angeles, em 2005; a primeira a chegar às oitavas de final desde Nanda Alves em Bogotá, em 2005; a primeira a chegar às quartas de final desde Vanessa Menga em Bogotá, em 1999; a primeira a chegar à semifinal desde Luciana Corsato em São Paulo, em 1990.

Se a sugestão de Dulgheru realmente se tornasse realidade, difícil seria saber exatamente onde construir a estátua, tantas são as raízes da jogadora. Teliana, 24 anos, passou grande parte da infância em Barra da Tapera, em Pernambuco, mas nasceu em Santana do Ipanema, no sertão alagoano e perto da divisa dos dois Estados, pois não havia maternidade em sua cidade.

Aos 7 anos de idade, mudou-se para Curitiba com a família. Na capital paranaense, o pai, o ex-boia-fria José Pereira da Silva, começou a trabalhar em uma academia de tênis, onde os filhos exerciam a função de boleiros. A paixão pelo esporte fez de três deles profissionais: Renato Pereira, 27 anos, foi o 1.494º do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) em 2007 e atualmente é o técnico da irmã; José Pereira, 22 anos, foi o número quatro do mundo como juvenil e ocupa a 348ª posição na ATP.

Teliana, número 1 do Brasil e 156 do mundo, disputa a semifinal do WTA de Bogotá neste sábado, quando enfrenta a partir das 12h30 (de Brasília) a argentina Paula Ormaechea, a 198 do ranking. Caso avance, irá quebrar mais um tabu do País no circuito: desde 1988, com o título de Niege Dias em Barcelona, uma representante nacional não alcança a final de um WTA. E reforçará com mais um motivo a tese da construção da estátua: em Alagoas, em Pernambuco, no Paraná, no Brasil.

Confira a entrevista exclusiva com a tenista Teliana Pereira:

Terra - Em apenas poucos dias, você quebrou uma série de jejuns do tênis feminino brasileiro. Você acompanhava todos esses números, tinha noção do tamanho dos tabus que você quebrou?
Teliana Pereira - Tento não pensar sobre isso, concentro em fazer meu melhor e tentar melhorar a cada dia.

Terra - Como está sendo a reação da família? Você tem recebido muitas mensagens de Curitiba? Você viajou a Bogotá acompanhada do técnico?
Teliana Pereira - A familia toda está muito feliz, falo diariamente com eles. Estou desde Cali (torneio que começou em 11 de fevereiro) com meu irmão que também é meu treinador, Renato Pereira.

Terra - Uma reportagem no site da WTA informa que a romena Alexandra Dulgheru disse que você mereceria uma estátua em sua cidade natal após quebrar os tabus do Brasil. O que acha disso? Você ainda tem contato com a família em Pernambuco, visita a região?
Teliana Pereira - Eu ficaria muito feliz com uma estátua na minha cidade (risos). Me mudei aos 7 anos (para Curitiba), minha família morava na Barra da Tapera, em Pernambuco, mas eu nasci em Santana do Ipanema, em Alagoas, pois na minha cidade não existia maternidade. A última vez que voltei para Pernambuco foi em 2007.

Terra - Um dos fatores pelos quais você se destacou em Bogotá foi pelo preparo físico. Já havia passado um duro qualificatório e venceu Alize Cornet (número 36 do mundo) nas quartas de final após batalha de mais de três horas. Esse é um ponto no qual você tem trabalhado de forma mais intensa recentemente?
Teliana Pereira - Depois das minhas cirurgias no joelho (foram duas em 2009) tive que voltar bem devagar. Depois que as dores pararam voltei a treinar mais forte e sempre priorizando a parte física, então é algo que venho me preparando faz tempo.

Terra - Você alcançou uma série de feitos justamente na semana anterior ao WTA de Florianópolis. A expectativa sobre você deve crescer bastante. Já parou para pensar que deve distribuir muitos autógrafos e dar muitas entrevistas em Santa Catarina? Acredita que a pressão aumentará?
Teliana Pereira - Estou tranquila quanto a isso. A pressão sempre existirá, mas estou focada em jogar meu melhor tênis e os resultados serão uma consequência. Se tiver que distribuir autógrafos, ficarei muito feliz e honrada.

Fonte: Terra
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