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Terezinha deixa "modo automático" e expõe emoções na Paralimpíada

28 ago 2012
07h40
atualizado às 17h22
Danilo Vital
Direto de Londres

Grande destaque do atletismo brasileiro, Terezinha Guilhermina chega aos Jogos Paralímpicos de Londres como favorita ao pódio nas provas mais rápidas do esporte - 100 m e 200 m rasos. Apesar do trajeto curto, a corredora cega promete expor todas as emoções do evento em seu formato mais puro, depois de aprender a abandonar o "modo automático" ao qual se submeteu em Pequim 2008 e Atenas 2004.

"Consigo ver essa Paralimpíada de uma maneira como eu nunca vi antes, com muito mais emoção, sem as coisas tão automáticas como as anteriores que eu vivi", disse Terezinha ao Terra na zona internacional da Vila Paralímpica. Naquele momento ela expunha sua alegria e satisfação, se divertindo sozinha. "Eu me sinto mais preparada, e quem se prepara tem mais sorte. Quem mais treina, tem mais sorte, talvez?", perguntou, aos risos.

No modo automático, Terezinha conseguiu três medalhas em Pequim 2008, uma de ouro, uma de prata e outra de bronze - antes, tinha conseguido bronze em Atenas 2004. Depois disso, iniciou uma preparação psicológica que ajudou o aspecto físico, sendo que ganhou quatro outros nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara e outras quatro no Mundial de Chrischurch, ambos em 2011, ano de desempenho impressionante da brasileira.

"A questão do ser automático é que essa tensão e essa pressão (de competir) é tão grande que você não consegue definir ou descrever o que está sentindo ou o que está fazendo. Você simplesmente faz. Faz porque tem que fazer, faz porque foi aprendido", explicou a atleta de 33 anos. Essa percepção avançada levou Terezinha a sair do modo automático, e é por isso que ela promete uma Paralimpíada de muitas emoções, quaisquer que sejam.

"Hoje eu faço tudo sabendo o que estou fazendo, questionando se necessário, entendendo. Hoje eu consigo descrever toda a alegria, a frustração quando não vai bem. Consigo entender, me chatear, brigar e voltar ao normal. Estou aqui como ser humano, não como uma máquina", apontou. Se essa percepção continuar aguçada assim, o que se poderá ver após a disputa dos 100 m, 200 m e 400 m é alegria extrema, talvez êxtase.

Atleta é um dos grandes destaques do Brasil no Atletismo em Londres 2012
Atleta é um dos grandes destaques do Brasil no Atletismo em Londres 2012
Foto: Fernando Borges / Terra
Fonte: Terra

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