Pira "enjaulada" é prova da preocupação com a segurança
Foto: AFP
- Ian Austen
Embora os Jogos de Inverno de Vancouver tenham se mantido em geral dentro do orçamento previsto, os custos de segurança subiram bem além da estimativa original de 175 milhões de dólares canadenses (US$ 167,5 milhões, ou ainda cerca de R$ 205 mi) e a conta final deve superar o bilhão de dólares canadenses.
Não incluídos no total estão os custos das operações reforçadas e dos programas especiais de segurança conjuntos entre as autoridades canadenses e as dos Estados Unidos, para enfrentar quaisquer possíveis contingências em Vancouver, que fica a menos de uma hora ao norte da fronteira entre os dois países.
O resultado é uma presença policial e de segurança tão forte que algumas pessoas se preocupam menos com a segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno do que com a possibilidade de que as forças de segurança e militares do Canadá, que mantém um contingente de 2,83 mil soldados no Afeganistão, estejam distendidas.
Cerca de 20% de toda a capacidade policial do Canadá está sendo utilizada nos Jogos. No total, 6 mil policiais, que representam 118 forças de polícia de o país, estão patrulhando os sítios olímpicos, além dos 1.327 membros do departamento de polícia de Vancouver que respondem pelas ruas vizinhas. E outros 4,5 mil integrantes das forças armadas canadenses estão patrulhando as montanhas, os céus e as águas da região, baseados em cerca de uma dúzia de acampamentos especialmente construídos.
Gary Russell Mercer, comissário assistente da Real Polícia Montada Canadense, o comandante da unidade de segurança integrada dos Jogos, responsável pela coordenação da segurança, descartou a ideia de que o Canadá tenha se descontrolado em seus gastos de segurança.
"Creio que tenhamos um orçamento equilibrado; ele foi revisado e avaliado tanto da perspectiva orçamentária quanto da perspectiva operacional", disse Mercer, cuja unidade responde por gastos de cerca de 650 milhões de dólares canadenses, de uma verba total de 900 milhões de dólares canadenses reservada pelos governos nacional, provincial e local à segurança olímpica.
Mercer e outros dizem que diferenças nos métodos de cálculo orçamentário tornam quase impossível comparar os custos de segurança em Vancouver com os de outras Olimpíadas.
Embora Mercer conte com o forte respeito da comunidade policial, sua indicação para o comando das forças de segurança dos Jogos despertou alguma insatisfação entre os defensores das liberdades civis no Canadá.
Quando era sargento, ele integrava uma unidade da polícia montada canadense cujas ações durante um protesto de 1997 se tornaram alvo de um sério inquérito público. O relatório oficial sobre o incidente constatou sérias deficiências de comportamento na unidade em questão, mas não erros pessoais da parte de Mercer. Em 2000, ele comandou uma equipe especial encarregada de remover manifestantes ecológicos que impediam ilegalmente o trabalho de madeireiros. Alguns dos manifestantes acusaram a polícia de usar táticas repressivas que colocaram suas vidas em risco. Mercer foi considerado inocente no julgamento.
O planejamento de segurança para os Jogos começou cerca de três anos atrás e, disse Mercer, foi conduzido em geral sob o conceito de expandir as operações já existentes, em lugar de criar novas instituições.
Desde o início do planejamento, ele afirma, sua unidade de segurança vem cooperando com o Serviço Federal de Investigações (FBI), o Departamento de Segurança Interna e diversas outras agências policiais dos Estados Unidos.
Para coordenar qualquer resposta a crises de segurança ou relacionadas ao terrorismo criadas pelos Jogos, 40 agências americanas estabeleceram um Centro de Coordenação Olímpica, no escritório do Departamento de Segurança Interna em Bellingham, Estado de Washington, o polo de operações policiais americanas mais próximo da fronteira canadense.
Além de métodos convencionais de coordenação, tais como conferências telefônicas, os dois países incluíram agentes da outra nacionalidade em suas centrais de segurança olímpica. Jeff Parks, vice-xerife do condado de Whatcom, Washington, disse, para pouca surpresa, que a maioria das agências envolvidas no processo acreditava que a abordagem coordenada seria a melhor maneira de enfrentar as questões transnacionais.
"Nós criamos um modelo de eficiência em termos de cooperação", disse ele, do centro de comando de Bellingham, acrescentando que espera que continue a haver verbas depois dos Jogos para manter o programa. Também houve um reforço da segurança na em Vancouver, especialmente no consulado dos Estados Unidos.
Agora que os Jogos estão em curso, funcionários do serviço de segurança do Departamento de Estado americano estão estacionados em todos os locais em que atletas americanos estão competindo e os acompanham em todos os seus deslocamentos. O especialista em segurança disse que os agentes tinham por missão coordenar atividades com a equipe de Mercer.
A ideia de forças de segurança americanas operando em território canadense foi sempre uma questão politicamente delicada no país. E Mercer, embora elogie a assistência recebida dos Estados Unidos, deixou claro quem estava no comando. "Os esforços de segurança do Canadá são claramente responsabilidade das autoridades canadenses", disse.
Jogos Olímpicos de Inverno no Terra
O Terra transmite ao vivo a competição em 15 canais simultâneos de vídeo. Além disso, os usuários têm a possibilidade de assistir novamente a todo o conteúdo a qualquer momento. Todo o acesso é gratuito.
Uma equipe de 60 profissionais está encarregada de fazer a cobertura direto de Vancouver e dos estúdios do Terra, em São Paulo, no Brasil, com as últimas notícias, fotos, curiosidades, resultados e bastidores da competição.
A equipe conta com a participação do repórter especialista em esportes radicais Formiga - com 20 anos de experiência em modalidades de neve -, e o pentacampeão mundial de skate Sandro Dias, que comenta a competição em seu blog no Terra.
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Tradução: Paulo Migliacci

- The New York Times

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