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Após escândalo, CBV audita contratos e interrompe comissões

11 mar 2014
15h49
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Envolvida em um escândalo de comissões por uma venda feita diretamente, a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou nesta terça-feira que decidiu contratar uma auditoria externa para avaliar contratos de terceirização de serviços assinados na gestão anterior. A divulgação acontece no mesmo dia em que a ESPN Brasil divulgou mais uma reportagem do que chama de “Dossiê Vôlei”, em que mostra que empresas de pessoas de dentro da CBV recebem por contrato de "prestação de serviços de representação e assessoria comercial".

<p>Fabio Azevedo (de branco, em pé) sempre foi muito ligado ao presidente da FIVB, Ary Graça Filho (de azul, em pé), durante sua passagem pela CBV</p>
Fabio Azevedo (de branco, em pé) sempre foi muito ligado ao presidente da FIVB, Ary Graça Filho (de azul, em pé), durante sua passagem pela CBV
Foto: Alexandre Arruda/CBV / Divulgação

Na semana passada, a emissora mostrou em reportagem através do seu site que a SMP Logística e Serviços LTDA, de Marcos Antônio Pina Barbosa, superintendente da CBV nos anos 90 e de volta em 2013, recebeu R$ 10 milhões para prestar serviços que ficavam sob responsabilidade da CBV. A empresa funcionou como uma interlocutora, sem exercer essa função.

Nesta terça-feira, a ESPN relatou um caso semelhante ao ocorrido com a SMP. A empresa da vez é S4G Gestão de Negócios, que segundo documentos obtidos pela ESPN conta ser de Fábio André Dias Azevedo. Como pessoa física, o dono da S4G consta como "Diretor Geral" no expediente da FIVB, primeiro cargo logo abaixo de Ary Graça Filho, que assumiu a presidência da entidade mundial em setembro de 2012, sem, no entanto, deixar oficialmente a presidência da CBV. Até ser levado para a FIVB, Fábio Azevedo era superintendente da CBV. No organograma, abaixo apenas de Ary Graça.

O acordo com a S4G também previa R$ 10 milhões em cinco anos de contrato. Assim, somando as cotas previstas para a SMP e para a S4G, a CBV prevê pagamento de R$ 20 milhões para estas agências em cinco anos, por comissão pelo contrato de patrocínio com o Banco do Brasil. Um repasse de vinte milhões de reais da CBV a título de "venda de patrocínio" realizado após a venda direta do patrocínio entre o BB e a CBV.

Na nota oficial em que fala sobre a contratação de uma auditoria externa, a CBV salientou que “todos os contratos mencionados nas denúncias tiveram seus pagamentos suspensos preventivamente ou já foram cancelados” e que solicitou o afastamento do ex-superintendente geral Marcos Pina.

Confira abaixo a nota enviada pela CBV sobre as acusações:

"A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) decidiu contratar auditoria externa, de reputação reconhecida, para avaliar contratos de terceirização de serviços assinados na gestão anterior. A auditoria, que complementará processo de revisão interna já iniciado pela instituição, irá incluir a apuração de denúncias publicadas pela imprensa sobre supostas irregularidades em alguns desses contratos.

O objetivo é ter um diagnóstico preciso do impacto desses contratos para a instituição. E, a partir dos resultados da auditoria, definir as medidas que serão adotadas. A escolha da empresa de auditoria deverá ser definida nos próximos dias. A atual gestão da CBV informa ainda que todos os contratos mencionados nas denúncias tiveram seus pagamentos suspensos preventivamente ou já foram cancelados. Ressalta ainda que solicitou o pronto afastamento do ex-superintendente-geral, Marcos Pina.

Será realizada também uma avaliação jurídica dos referidos contratos.

'Iremos realizar uma revisão completa de todos os contratos de terceirização de serviços para tomar as providências necessárias caso problemas sejam detectados', explica o novo superintendente-geral da CBV, Neuri Barbieri.

A CBV reafirma seu compromisso com o voleibol e reforça que sua atuação é mundialmente reconhecida como exemplo de boa gestão esportiva.

<p>Marcos Pina (à esq.) foi destituído do cargo de superintendente depois das denúncias</p>
Marcos Pina (à esq.) foi destituído do cargo de superintendente depois das denúncias
Foto: Alexandre Arruda/CBV / Divulgação

Em razão do trabalho profissional desenvolvido pela CBV, instituição fundada em 1954, o voleibol brasileiro é referência mundial. A CBV entende que a defesa do esporte está atrelada à adoção de atitudes transparentes e de rigor em relação à sua gestão." 

Fonte: Terra
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