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 Carioca surge como sucessor de Serginho na Seleção de vôlei
06 de fevereiro de 2010 11h09

Mário Júnior foi convocado pela primeira vez à Seleção em 2009. Foto: Alexandre Arruda/CBV/Divulgação

Mário Júnior foi convocado pela primeira vez à Seleção em 2009
Foto: Alexandre Arruda/CBV/Divulgação

Mário da Silva Pedreira Júnior tem 27 anos, nasceu no Rio de Janeiro, já jogou fora do Brasil e atua como líbero na equipe que vem dominando o vôlei masculino brasileiro nos últimos anos - a do Cimed, de Florianópolis. Com os bons resultados em quadra veio a primeira chance na Seleção Brasileira, no ano passado, e a oportunidade de conviver com seu provável antecessor na equipe verde e amarela: Serginho, eleito o melhor jogador da última Liga Mundial e um dos que mais contribuíram para o desenvolvimento da posição de líbero desde que ela foi implantada pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB), em 1998.

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A primeira oportunidade dada por Bernardinho veio graças à mudança na regra do vôlei que passou a permitir a inscrição de dois líberos para cada competição. O desafio, agora, é aproveitar a chance nesse processo de renovação comandado pelo técnico e repetir o que o próprio Serginho fez quando desembarcou na Seleção, em 2001: seguir nela. Em entrevista ao Terra, Mário Júnior se apresenta como um jogador de grupo, consciente de que, neste momento, o melhor a fazer é aprender ao máximo com o "mestre" para depois sucedê-lo efetivamente. Tudo com a ajuda de seus amigos de Cimed, em maioria no elenco campeão da Liga Mundial pela oitava vez em 2009.

Terra - Você participou da Seleção Brasileira em 2009. Como foi a experiência e o que você espera de 2010?
Mário Júnior: Foi uma temporada ótima (2009), tanto que até na virada do ano eu desejei que 2010 pudesse ser igual ou melhor. Foi um ano que eu mais conquistei títulos com a Cimed, fui campeão da Superliga, depois fui para a Seleção, fui campeão da Liga Mundial, depois campeão de clubes, campeão no Japão... Como disse, foi uma temporada ótima. E esse ano também está sendo maravilhoso, pelo menos nesse início.

Terra - Daqui a algum tempo a Seleção não terá mais Giba, Rodrigão, Serginho... Vocês já pensam em assumir o lugar deles?
Mário Júnior: A gente conversa sobre isso. Estamos aí e a qualquer momento pode pintar a possibilidade. Não dá para chegar à Seleção é já jogar, a gente tem é que observar, aprender. Esse ano o Lucas (meio de rede do Cimed) surgiu bem, por exemplo, e no banco têm outros que estão buscando seu espaço, como eu, o Éder (meio de rede, também do Cimed)...

Terra - Sobre o Serginho, você é um forte candidato a sucedê-lo na Seleção. Vocês já conversaram sobre isso? Como você está se preparando para isso?
Mário Júnior: Sim, nós também nos falamos muito. (O Serginho) é uma pessoa que eu sempre tive como ídolo e sempre quis treinar junto. Eu pego muitos conselhos com ele. Meu objetivo era chegar à Seleção, isso eu consegui, e agora é me manter lá. (Líbero) é uma posição que requer experiência, requer muita rodagem, jogar aos poucos na Seleção até evoluir.

Terra - Existe algum "batismo" para os novatos na Seleção Brasileira?
Mário Júnior: Olha, minha chegada foi muito boa até porque mais quatro companheiros meus da Cimed também foram à Seleção. Giba, Rodrigão, Serginho, são caras legais e que conversam com a gente. Eles também chegaram à Seleção e ficaram e nós temos que fazer o mesmo.

Terra - O Bernardinho conversa com vocês mais novos sobre continuidade na Seleção e o que fazer para se manter nela?
Mário Júnior: Ele conversa sim, ele tem um trabalho longo na Seleção. È uma pessoa que nunca está satisfeita, sempre está buscando o melhor. Mal acaba o campeonato e no dia seguinte ele dá conselhos, fala sobre como está os rivais, e ele sempre alerta para não achar que a nova geração está pronta. Tem muita coisa pela frente ainda, nesse ano temos muitos títulos para disputar. A vantagem é que ele pegou um grupo novo bom e que manteve a qualidade. Sai um e o outro mantém o nível.

Terra - Na Superliga, você é adversário desses jogadores que estão a mais tempo na Seleção. Têm algum tratamento diferente quando vocês se enfrentam?
Mário Júnior: A gente joga contra, mas quando acaba o jogo saímos para jantar, relembrar momentos... Ali dentro da quadra tem o jogo, tem que defender o clube, mas quando termina o jogo a gente deixa a rivalidade de lado.

Terra - Muitos voltaram do exterior para jogar no Brasil em 2010. Como você avalia essa tendência?
Mário Júnior: Acho que a volta deles é um ganho muito grande para o esporte brasileiro, para ele evoluir ainda mais. Acho que o vôlei já é o segundo esporte mais popular do País, e com eles aqui os ginásios ficam cheios, a procura aumenta, a transmissão também e acho que isso é muito importante para divulgar o esporte. É muito bom até para quem está começando. Eu, por exemplo, comecei no vôlei aos dez anos, vendo o Brasil ser campeão olímpico em Barcelona.

Terra - Você tem a intenção de jogar fora do País?
Mário Júnior: Eu há joguei fora, quando tinha 21 anos. Morei três anos na Espanha, atuando em uma liga menor, e voltei para o Brasil mais maduro.

Terra - Sua equipe, aliás, é a atual bicampeã Superliga e vem de bons resultados em 2010. Qual é o segredo desse sucesso todo?
Mário Júnior: Juntamos uma geração nova que estava vindo, que é o Bruno, o Thiago, o Lucas, com uma geração que tinha eu, o Éder, e a Cimed manteve a base, só trocando o oposto nos últimos anos. Essa é uma vantagem sobre os outros. O pessoal até brinca falando que a gente joga em um "time de amigos". A gente discute também, claro, por causa das cobranças, mas a amizade sempre existe. Nos jogos, olhamos para o lado e sabemos que o colega vai fazer.

Terra - Você sempre jogou vôlei na infância?
Mário Júnior: Acompanho o vôlei desde pequeno, tinha o Giovane como ídolo e isso foi uma coisa bacana porque consegui jogar com ele depois. Joguei nas categorias de base e daí eu comecei a tomar mais gosto pelo vôlei. Também defendi seleções estaduais, era atacante nessa época. Depois, quando mudou a regra, eu comecei a me especializar como líbero.

Redação Terra