Bernardinho se desentendeu com Ricardinho em 2007
Foto: Washington Alves/VIPCOMM/Divulgação
Então capitão do time e apontado como melhor do mundo em sua posição, o levantador Ricardinho foi afastado pelo técnico Bernardinho na véspera do Pan-Americano do Rio de Janeiro 2007. Sem pesar pelo ex-companheiro, que nunca mais voltou à Seleção Brasileira, Maurício prefere valorizar a renovação do vôlei nacional.
"Se o Bernardo tomou essa decisão é porque ele chegou no limite. O Bernardo tentou relevar ao máximo os problemas que tinham e não acho um pesar (o Ricardinho estar fora da seleção), porque o voleibol brasileiro não está mais refém de um ou de outro jogador. O esporte já está consolidado e forte", declarou.
Ao lado da família, Maurício passou o último final de semana no Rio Quente Resorts-GO durante a realização da 11ª edição da Copa Latina de Beach Soccer. Ele disse não acreditar em um eventual retorno do atual jogador do Treviso à Seleção Brasileira.
"Enquanto o Bernardinho estiver no comando, o Ricardinho não volta mais. O que aconteceu foi uma coisa muito séria. O Ricardo é um bom levantador, é um dos responsáveis pelos títulos daquela geração, mas o Bernardo tomar aquela decisão antes de um Pan dentro de casa e antes de uma Olimpíada é algo muito sério", disse.
Maurício foi o dono da posição até a ascensão de Ricardinho. Com a camisa da Seleção, ganhou quatro Ligas Mundiais (1993, 2001, 2003 e 2004), um Mundial (2002) e duas medalhas de ouro olímpicas: como titular em Barcelona 1992 e como reserva de Ricardinho em Atenas 2004.
Questionado se via o time refém de Ricardinho, ele desconversou. "Convivi sete anos com ele na reserva e nos últimos anos ele foi titular. Não sei te falar, porque eu já estava fora da seleção quando tudo aconteceu. Mas com certeza o Bernardo pensou muito mais no grupo do que no individual", declarou.
Sem Ricardinho, o Brasil se manteve em alto nível durante as últimas temporadas. No ano do Mundial, Maurício também descarta o retorno de Marcelinho, titular no vice-campeonato dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, e aposta em Bruninho, filho de Bernardinho e Vera Mossa, ex-jogadores da seleção.
"Suceder grandes levantadores já é uma responsabilidade grande. Sendo filho do técnico é maior ainda. Isso já foi um problema, mas hoje em dia todo mundo sabe que o Bruno é o melhor levantador do País. Em 2009, ele mostrou que é o titular mesmo. Espero que o Brasil tenha muitas vitórias com ele", declarou Maurício.
Provavelmente com Bruninho como titular, o Brasil disputa o Mundial entre os dias 24 de setembro e 10 de outubro, na Itália. No Grupo B do torneio, a seleção enfrenta Cuba, Espanha e Tunísia na primeira fase. Campeã em 2002 e 2006, a equipe pode igualar a Itália, único time a ganhar três títulos seguidos (1990, 1994 e 19988).
"Acho que a Seleção está perfeita, é uma seleção muito vitoriosa. O Brasil vai entrar em mais um torneio como favorito e já vem lidando com essa pressão há muito tempo. Mesmo assim, está chegando e está ganhando", disse Mauricio, que aponta Rússia, Polônia e Bulgária como principais rivais no Mundial.
- Gazeta Esportiva


