Fora das quadras, o treinador também se prepara para um novo desafio. Vai lançar um livro em 2005 e pretende, daqui a um ano, ter um novo filho com sua esposa, a levantadora Fernanda Venturini.
Confira a entrevista com Bernardinho:
O presidente do Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça, dá sua permanência como certa. Como estão as negociações?
Bernardinho: Tive uma reunião semana passada na CBV. Estamos ajustando para continuarmos o trabalho. A intenção de ambas as partes é de continuar.
Quando haverá uma definição?
Bernardinho: Vou ter uma reunião no dia 19 de janeiro com o Paulo Márcio (diretor de seleções da CBV) onde ele vai entregar o projeto. É preciso ver se os jogadores querem. Não é um projeto meu, é nosso. Temos de estar dispostos a pagar um preço alto. Será o ciclo mais difícil de nossas vidas, muito mais difícil que o anterior.
O Giovane revelou que, durante a Olimpíada de Atenas, você e o preparador físico Zé Inácio o convidaram para integrar a comissão técnica no próximo ano. Ele só está aguardando a sua permanência para decidir.
Bernardinho: O Giovane é um ser humano fantástico. Quero tê-lo por perto o tempo todo e gostaria muito de ajudá-lo a formatar essa fase dele "pós-jogador". Mas também é preciso ver se o trabalho seria financeiramente e profissionalmente interessante para ele. Tenho certeza de que ele terá muitas possibilidades profissionais quando parar de jogar. Muitos canais de televisão gostariam de tê-lo.
Como ele seria útil à Seleção?
Bernardinho: Quem sabe num cargo de supervisão, como um representante da Seleção em competições internacionais. Ele é uma figura muito respeitada, seria ótimo para o Brasil. Ele também poderia orientar os jogadores mais jovens, passando sua experiência, sendo um elo.
A Seleção perderá importantes jogadores. Além de Giovane (que deve assumir cargo), Maurício e Nalbert (vai jogar na praia). Você já está de olho em substitutos?
Bernardinho: Há muita gente boa, mas ainda é prematuro achar substitutos para eles. Há muitos jovens talentos, mas não quero criar expectativas nem causar frustrações. Para a Liga Mundial, é possível inscrever 18 e ainda chamar outros para treinar. Será uma boa oportunidade para observar, afinal, estaremos começando um novo ciclo olímpico.
Quem chama a sua atenção?
Bernardinho: De ponteiros, o Roberto Minuzzi e o Murilo, que já estavam treinando com a gente. Tem também o João Paulo. De centrais, tem o Cidão, Riad, Samuel e o Evandro. A porta não está fechada para ninguém.
Como você avalia a temporada?
Bernardinho: Se tivesse pedido a Papai do Céu, ele não poderia ter caprichado mais. O ano foi fechado, literalmente, com chave de ouro. Os jogadores foram especiais. Mereciam tudo aquilo que conquistaram. Mas agora já é passado. Foram quatro anos de glórias. É uma geração pela qual eu tenho uma admiração incrível. Eles fizeram muito pelo vôlei e de forma intensa. Não dá para citar apenas um nome. Todos foram muito importantes. No início do mês eu fui buscar o prêmio de melhor técnico pela terceira vez (Prêmio Brasil Olímpico, concedido pelo Comitê Olímpico Brasileiro). Mas, na verdade, era um prêmio para um grupo.
E o contrato com o Rexona?
Bernardinho: O contrato é sempre anual. Já estamos nesse projeto há oito anos e espero continuar por mais oito, indo sempre mais longe.
Como você avalia esses primeiros meses do Rexona no Rio de Janeiro?
B: Foi um período de muito trabalho. Conquistamos dois títulos (Salonpas Cup e Estadual). Começamos bem, mas ainda não estamos como gostaríamos e isso é algo que me preocupa um pouco. Precisamos acertar melhor o time para que possamos jogar o que podemos.
E os planos pessoais para 2005?
Bernardinho: A Fernanda fez um planejamento de jogar duas Superligas e depois parar para termos mais um filho (têm uma filha, Júlia). Esperamos conseguir cumprir esse planejamento. Também pretendo lançar um livro até o primeiro semestre.
Sobre o que é o livro?
Bernardinho: É um livro que fala sobre meu histórico, mas não apenas isso. Terá como base as palestras que eu dou, o conceito chamado "roda da excelência". São princípios de motivação, trabalho em equipe. A idéia surgiu há cerca de um ano, mas eu e o jornalista Lúcio de Castro só começamos a escrever o livro há três meses.
- Lancepress!


