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Michael quer fim de homofobia e não espera revide em Araçatuba

5 abr 2011
17h37
atualizado às 18h17

O central Michael, do Vôlei Futuro, que foi vítima de homofobia na partida do último dia 1º contra o Sada/Cruzeiro, pelas semifinais da Superliga, disse que quer expor o preconceito no esporte brasileiro para que não ocorra mais esse tipo de situação. O atleta também acha que a súmula da partida - que não tem relatos do gênero - não é importante, pois era possível ouvir os xingamentos pela televisão. Mesmo assim, ele tem certeza de que a torcida araçatubense não responderá de forma ofensiva no jogo de volta, no próximo sábado.

O jogador, que foi chamado de "bicha" e "gay" toda vez que tocava na bola durante a partida da última sexta, confirmou que assumiu sua homossexualidade neste momento em que foi prejudicado dentro de quadra e que, se não o fizesse, situações piores poderiam acontecer.

"Sobre assumir, sim, eu sou gay. Mas, independentemente disso, eu só queria expor o preconceito. Eu não vou tomar atitude nenhuma agora porque o que eu podia fazer é mostrar o que aconteceu. Se eu ficar quieto, vai acontecer com outras pessoas ou comigo de novo. Mais pra frente, pode rolar até racismo também. E qualquer forma de preconceito é incabível", acrescentou.

"Eu queria colaborar com essa luta contra o preconceito. Hoje em dia, a gente escuta tanto sobre esse assunto, como os casos do Roberto Carlos (jogador) e da Seleção (de futebol, na partida contra a Escócia). Se eu me calasse, futuramente iria abrir a boca", ressaltou o central.

Jogador não sabia que poderia colocar ofensas na súmula

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), disse nesta tarde que a súmula do jogo não continha nenhum relato do gênero. Por sua vez, Michael frisou que desconhecia a possibilidade de relatar os xingamentos, mas que é possível ouvir a torcida na transmissão. "Foi um erro nosso não ter colocado na súmula, mas eu não sabia que podia incluir algo assim nela", admitiu.

"Mas, se todo mundo assistir ao vídeo da partida, vai escutar o que estava rolando. Minhas amigas estavam vendo o jogo e vieram falar pra mim como foi ruim ouvir aquilo. Todo mundo viu, no twitter todo mundo comentava", acrescentou.

Quando perguntado sobre uma possível reação da torcida da casa na partida de volta, em Araçatuba, o atleta frisou que não espera atitudes parecidas dos torcedores do Vôlei Futuro para prejudicar o adversário.

"De maneira nenhuma. A torcida do Vôlei Futuro sempre deu um espetáculo sem precisar agredir ninguém. É claro que sempre tem as provocações, pressão, mas é coisa de jogo. Aqui, eles não fazem nada dessa maneira, como a torcida deles. Acho que não vai ter nada disso, pois, se eu estou lutando contra isso, a torcida vai estar do meu lado", finalizou.

O Sada/Cruzeiro vai para o jogo de volta com uma vitória e, se vencer, faz 2 a 0 na série melhor de três e confirma vaga para a final da Superliga Masculina de Vôlei. O clube alegou na noite de ontem que as atitudes do time paulista são "características de mau perdedor", apenas para desestabilizar o time.

Michael reclamou de ofensas na partida em Contagem
Michael reclamou de ofensas na partida em Contagem
Foto: Vôlei Futuro / Divulgação
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