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Justiça húngara ordena extradição de hacker português criador do Football Leaks

Rui Pinto é acusado de tentativa de extorsão, acesso ilegal a dados confidenciais e outros crimes

5 mar 2019
12h49
atualizado às 12h49
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A Justiça da Hungria ordenou, nesta terça-feira, a extradição para Portugal do hacker Rui Pinto, responsável por criar o Football Leaks, site que divulga informações confidenciais do mundo do futebol que originou uma série de investigações contra vários jogadores e clubes.

Os advogados de Rui Pinto entraram com recurso da decisão da corte de Budapeste. O hacker é acusado de tentativa de extorsão, acesso ilegal a dados confidenciais e outros crimes relacionados à liberação de informações secretas sobre as transações financeiras dos principais clubes do futebol europeu. Ele está em prisão domiciliar em Budapeste desde 16 de janeiro, sob um mandado de detenção europeu emitido pelo seu país.

Rui Pinto declarou que agiu de boa fé e afirmou que a sua extradição impediria as investigações em curso. Os advogados do hacker de 30 anos alegam que ele é "um informante europeu muito importante".

Rui Pinto disse ao tribunal húngaro que teme pela própria vida e de sua família e fez um apelo para não voltar a Portugal, seu país de origem. "O caso é de vida ou morte. Eu peço, por favor, para não me mandar de volta a Portugal", implorou.

Um tribunal de recurso deve emitir uma nova decisão sobre o caso em algumas semanas. Se a extradição for mantida, as autoridades portuguesas terão dez dias para assumir a custódia de Rui Pinto.

O Football Leaks é considerado o maior site de publicação de informações vazadas da história do futebol. Entre os muitos casos revelados estão os problemas fiscais de Cristiano Ronaldo durante a sua passagem pelo Real Madrid e a leniência da Uefa com o descumprimento do Fair-Play Financeiro por Paris Saint-Germain e o Manchester City.

Conhecido como "John", o hacker vazou milhares de arquivos relacionados às transações do futebol europeu, com o objetivo de, segundo ele, revelar os bastidores de uma indústria "desonesta".

Estadão
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