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Final desastroso compromete chance de Felipão continuar

Derrota por 3 a 0 para a Holanda e dificuldade para enfrentar momento de crise após 7 a 1 para a Alemanha praticamente enterram ideia da CBF em manter treinador na Seleção

13 jul 2014
07h08
atualizado às 07h13
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Em campo, dez gols levados em dois jogos que marcaram as maiores derrotas por saldo de gols do Brasil em Copas do Mundo. Fora dele, entrevistas se esquivando de erros, tentativa de valorização do trabalho a cada resposta e insistência em reclamações contra arbitragem. Nas arquibancadas vaias e protestos isolados contra suas decisões. A derrota por 3 a 0 para a Holanda no último sábado e a maneira de lidar com o momento de crise comprometeram e muito a chance de permanência de Luiz Felipe Scolari à frente da Seleção Brasileira.

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Antes do confronto pelo terceiro lugar o futuro presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, acenou com a tentativa de renovação com o treinador mesmo depois da derrota por 7 a 1 para a Alemanha. A avaliação era de que o trabalho como um todo não poderia ser jogado no lixo por um resultado ruim, por um “erro tático” como foi dito ao jornal O Estado de S. Paulo. O que não se esperava era um novo resultado desastroso na disputa do terceiro lugar.

Em sua entrevista pós-jogo Felipão já aparentava um tom diferente nas respostas do que no dia anterior. Disse que como combinado entregaria o cargo ao final do ciclo, se defendeu de críticas e disse que não precisa se reciclar. 

“Eu? Em 2013, ganhei a Copa das Confederações. Isso significa que os outros treinadores deveriam ter vindo se reciclar no Brasil? Não. Ganhamos a Copa das Confederações e ficamos entre os quatro melhores do Mundial. Nossa equipe tem uma dificuldade a mais porque estamos revelando menos e o time ainda é novo”, disse.

Desde a derrota para a Alemanha, Felipão e a comissão técnica iniciaram uma defesa que se baseou em um placar atípico, sem admissão de erros apontados no período de preparação. O som vazado de uma conversa de Felipão, na véspera do jogo de sábado, causou mais polêmica por ele dizer que o Brasil poderia ter feito quatro gols em 10 minutos contra os alemães. A explicação soou como se o rival tivesse ganhado por um golpe de sorte.

Ao mesmo tempo houve a preocupação da comissão técnica de em cada entrevista tentar anunciar apoio popular e limitar as críticas à imprensa. O coordenador técnico Carlos Alberto Parreira virou piada ao ler a carta da fã Dona Lúcia durante uma coletiva. A tentativa era contrapor duas realidades paralelas: a de uma crítica dirigida e a de um apoio popular.

Neste sentido o jogo contra a Holanda tornou-se fundamental para servir como teste de popularidade para Felipão. Porém, ao ser anunciado no telão do Estádio Mané Garrincha, o treinador e Fred foram os únicos vaiados antes de a bola rolar.

Apesar de ter passado os últimos dias valorizando a disputa do terceiro lugar, Felipão colocou em campo uma equipe desfigurada, com seis alterações em relação ao time humilhado pela Alemanha. A Holanda, que menosprezou em discursos a partida, entrou em campo com apenas uma mudança em relação à semifinal. Não durou dos minutos para os holandeses estarem em vantagem.

Pelé aprova permanência de Felipão e vê favoritismo alemão

Felipão não recebeu xingamentos em coro em Brasília. Mas a segunda atuação abaixo da crítica na Copa do Mundo rendeu fortes vaias no intervalo e ao final da partda. Tudo sob olhar atento da cúpula da CBF, presente na tribuna do estádio.

Quando chamar Felipão para uma reunião nesta semana para avaliação do trabalho, o presidente José Maria Marin e seu sucessor Marco Polo Del Nero irão considerar o bom começo de trabalho de Felipão, o título da Copa das Confederações, as 14 partidas de invencibilidade e a volta à semifinal após duas Copas de ausência.

Porém, o contrapeso é forte e está mais fresco na memória. As derrotas finais fizeram o Brasil bater um festival de recordes negativos, de números de gol sofridos em uma Copa o pior aproveitamento desde 1974. A popularidade de Felipão sofreu fortes abalos, o time teve dificuldades ao longo de toda a Copa, a crítica é quase unânime em apontar a saída do técnico como solução e o final desastroso não pode ser tratado como uma fatalidade. Um convite para a sua permanência iria deixar o início de trabalho para 2018 cercado de polêmica e sob ameaça desde o primeiro jogo.

Fonte: Terra
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