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Seleção deixa Copa com escassez tática e só um esquema

13 jul 2014
14h12
atualizado às 14h13
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Questionado desde o início da preparação pela pouca quantidade de treinos táticos ou coletivos, o técnico Luiz Felipe Scolari sempre disse que o planejamento foi feito para preservar o condicionamento físico dos atletas. Porém, os dois últimos jogos mostraram que a falta de um planejamento tático foi crucial para duas derrotas vexatórias diante da Aleamanha, por 7 a 1, na semifinal, e para a Holanda, por 3 a 0, na decisão de terceiro lugar. 

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Ao todo, Luiz Felipe Scolari fez, em sua trajetória de 48 dias de Copa do Mundo, apenas 13 treinos táticos ou coletivos com o grupo completo em atividades abertas à imprensa. O treinador fez mais um total de quatro treinos secretos, três deles em estádios onde jogaria no dia seguinte, que são atividades normalmente com intensidade mais baixa para não prejudicar o gramado para a partida que seria disputada no dia posterior.

<p>Luiz Felipe Scolari fez apenas 13 treinos táticos ou coletivos em quase 50 dias com o grupo de jogadores que disputou a Copa do Mundo</p>
Luiz Felipe Scolari fez apenas 13 treinos táticos ou coletivos em quase 50 dias com o grupo de jogadores que disputou a Copa do Mundo
Foto: Marcelo Regua / Reuters

Grande parte desses treinos coletivos foram feitos antes da estreia brasileira no Mundial. Foram quatro dias seguidos de atividades táticas, do dia 29 de maio a 1º de junho, antes do amistoso contra o Panamá, mais um antes do jogo contra a Sérvia e mais dois antes da estreia contra a Croácia

Porém, em todas essas atividades, o treinador fez apenas uma variação de esquema e por pouco tempo, colocando Henrique no lugar de Oscar como uma espécie de primeiro volante, liberando Paulinho e Luiz Gustavo, e deixando Hulk, Neymar e Fred como um trio ofensivo, variando entre um 3-4-3 e um 4-3-3. 

De resto, ele sempre manteve o esquema 4-2-3-1 apenas trocando peças, mas não o posicionamento. O estilo previsível da Seleção foi evidenciado na partida contra a Alemanha. Luiz Felipe Scolari tentou despistar treinando com William e depois entrando com Bernard entre os titulares.

Porém, sem a Seleção mudar seu posicionamento em campo, o time comandado por Joachim Löw conseguiu rapidamente se adaptar ao esquema brasileiro. Mesmo durante a pressão inicial da Seleção, era possível ver um rival bem postado e sem altera sua postura de saída com toques de bola curtos e três linhas muito agrupadas, que defendiam em bloco e atacavam da mesma maneira.

Mesmo na partida diante da Holanda, quando entrou com três volantes (Luiz Gustavo, Paulinho e Ramires), Felipão colocou Ramires na posição exercida por Hulk durante grande parte desta Copa do Mundo, mantendo a mesma formação tática que já não tinha dado certo contra a Alemanha e que passou sufoco em partidas contra Croácia, México e Chile

Defesa do treinador

Após a vexatória derrota para a Alemanha, Felipão tentou se defender sobre a questão da programação de treinos dizendo que a carga foi igual a da Copa das Confederações. "Muito foi falado a respeito de treinamento, mas se forem pesquisar, olhar os dados da Copa das Confederações, foi mesmo número de treinos, com menos dias para treinar. As vezes a indução a uma ideia não é a correta, temos os dados aqui pra passar. Quando quiserem a gente passa". 

<p>Seleção Brasleira não conseguiu se reconstruir após tomar gols nas partidas diante da Alemanha e Holanda</p>
Seleção Brasleira não conseguiu se reconstruir após tomar gols nas partidas diante da Alemanha e Holanda
Foto: Eddie Keogh / Reuters

A diferença é que na Copa das Confederações, o tempo total foi de 14 dias a menos de convívio do que a Seleção que disputou a Copa do Mundo. A equipe verde e amarela se apresentou no dia 28 de maio e encerrou sua participação na competição no dia 30 de junho, no torneio que terminou com a conquista diante da Espanha.

Sem contar que jogadores e comissão técnica disseram por diversas vezes, durante a Copa do Mundo, que o desempenho das seleções na Copa das Confederações não servia como parâmetro para a disputa do Mundial, que é uma competição muito mais difícil de ser disputada. 

Relevando todos esses dados e se concentrando apenas no que disse o comandante da Seleção em sua entrevista, a reportagem do Terra pediu acesso aos dados que Felipão prometeu passar à imprensa há quatro dias em sua entrevista. Entramos em contato com a diretoria de comunicação da CBF solicitando as informações das duas preparações, porém até este domingo nada nos foi fornecido. 

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Fonte: Terra
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