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Brasil naufraga em 10 erros: de Fred a inimigos imaginários

9 jul 2014
12h14
atualizado às 17h49
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Toda derrota merece uma reflexão. Ainda mais depois de um 7 a 1 em uma semifinal de Copa do Mundo contra a Alemanha. O vexame passado pelo Brasil no Estádio Mineirão não tem como ser casual e configura uma série de equívocos que vinham sido reportados a tempo. 

Veja uma seleção de dez que ajudam a explicar a derrota brasileira. Todos rebatidos pela comissão técnica em entrevista na qual a principal justificativa para o desastre foi o apagão no primeiro tempo.

Sistema quase único de jogo

Jogadores brasileiro posam para foto antes da final contra a Espanha
Jogadores brasileiro posam para foto antes da final contra a Espanha
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

A conquista da Copa das Confederações fez o técnico Felipão se apegar ao time campeão e seu sistema de jogo. Praticamente não houve testes em variações táticas, o que ficou evidente na eliminação contra a Alemanha: o substituto de Neymar foi Bernard. Da mesma forma o centroavante Fred, em péssima fase, jogou até o final porque o treinador não abrir mão de um camisa nove e por Jô estar em má fase.

Treinos regenerativos e mentais

Depois de um dia de folga, a Seleção Brasileira voltou à ativa nesta segunda-feira; além de treino na Granja Comary, os jogadores fizeram exercícios regenerativos na piscina, onde tiveram alguns momementos de descontração e aproveitaram para fazer poses engraçadas para os fotógrafos
Depois de um dia de folga, a Seleção Brasileira voltou à ativa nesta segunda-feira; além de treino na Granja Comary, os jogadores fizeram exercícios regenerativos na piscina, onde tiveram alguns momementos de descontração e aproveitaram para fazer poses engraçadas para os fotógrafos
Foto: Rafael Ribeiro/CBF / Divulgação

As passagens da Seleção Brasileira pela Granja Comary ficaram marcadas por não treinos dos titulares. A comissão técnica e física privilegiou as atividades regenerativas e de precaução. David Luiz chegou a dizer que era possível treinar mentalmente. O ápice desta proposta ocorreu nos dias que antecederam a semifinal contra a Alemanha. O Brasil enfrentou a Colômbia na sexta, fez trabalho regenerativo no sábado, colocou só os reservas no treino de domingo e se posicionou taticamente apenas na véspera em atividade leve.

Inimigos imaginários

Howard Webb apitará pela segunda vez uma partida entre Brasil e Chile em uma Copa do Mundo
Howard Webb apitará pela segunda vez uma partida entre Brasil e Chile em uma Copa do Mundo
Foto: Christopher Lee / Getty Images

A marcação de um pênalti inexistente em Fred e a repercussão do lance iniciou uma cruzada de Felipão e sua comissão técnica contra inimigos imaginários. A intenção era não deixar o Brasil com o estigma de donos da casa favorecidos. Mas o exagero fez com que, após a passagem pelo Chile nas oitavas, houvesse insinuações de complô contra o Brasil e uma guerra fria com a Fifa que apenas tirou de foco o futebol irregular apresentado pela Seleção.

Descontrole emocional

Thiago Silva usou sua página no Instagram para desabafar sobre as reações opostas ao seu comportamento pouco antes dos pênaltis que decidiram a vitória do Brasil contra o Chile. "As pessoas julgam sem saber o que está acontecendo !! Pra quem falou que eu estava derrotado nesta foto aí sentado na bola !! Estava muito enganado , sou brasileiro e não desisto nunca .. apenas queria um momento meu pra fazer minha oração !! Ok", disse
Thiago Silva usou sua página no Instagram para desabafar sobre as reações opostas ao seu comportamento pouco antes dos pênaltis que decidiram a vitória do Brasil contra o Chile. "As pessoas julgam sem saber o que está acontecendo !! Pra quem falou que eu estava derrotado nesta foto aí sentado na bola !! Estava muito enganado , sou brasileiro e não desisto nunca .. apenas queria um momento meu pra fazer minha oração !! Ok", disse
Foto: thiagosilva_33/Instagram / Reprodução

A psicóloga Regina Brandão virou praticamente uma celebridade durante a Copa do Mundo. Depois da crise de choro de jogadores antes, durante e depois da decisão de pênaltis contra o Chile sua presença na Granja Comary passou a ser anunciada, como se fosse uma salvadora. As lágrimas descontroladas de Thiago Silva e a pane sofrida com três gols levados em cinco minutos simbolizam um desequilíbrio emocional que se mostrou fatal.

Um ano sem enfrentar campeões

Júlio César lamenta após levar o sétimo gol da Alemanha em partida no Mineirão
Júlio César lamenta após levar o sétimo gol da Alemanha em partida no Mineirão
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

O Brasil enfrentou a Espanha na final da Copa das Confederações no dia 30 de junho de 2013. A eliminação para a Alemanha ocorreu no dia 8 de julho de 2014. Neste intervalo a Seleção jogou por 14 vezes, nenhuma contra um campeão mundial. Por melhor que sejam Chile, Portugal e Suíça, a falta de desafios contra equipes de peso criou uma falsa impressão que o Brasil estava preparado para tudo. Sem esquecer que no período o time de Felipão mediu forças com seleções do nível de Zâmbia e África do Sul.

Favoritismo cantado

fotos exclusivas copa
fotos exclusivas copa
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Felipão disse que o Brasil era favorito ao título. O coordenador técnico Carlos Alberto Parreira afirmou que o campeão tinha chegado à Granja Comary no começo da preparação para a Copa. A afirmação do Brasil como potência a cada momento criou uma expectativa exacerbada sobre o hexacampeonato, com pouco espaço para lidar com a derrota.

Clima de guerra para a mini Copa América

Neymar em lance com colombiano Camilo Zúñiga, que deu uma joelhada no brasileiro durante partida em Fortaleza que o deixou fora da Copa .  4/7/2014.
Neymar em lance com colombiano Camilo Zúñiga, que deu uma joelhada no brasileiro durante partida em Fortaleza que o deixou fora da Copa . 4/7/2014.
Foto: Marcelo Del Pozo / Reuters

A chave até as quartas se configurou como uma mini Copa América e fez a Seleção entrar em clima de Libertadores. Antes do jogo, bate-bocas para tentar anular os efeitos da arbitragem. Dentro de campo recorde de faltas, muita energia e fraco futebol. Agressões nos corredores dos vestiários e provocações deixaram o ambiente tenso. Felipão prometeu voltar ao velho estilo. Ao final do jogo mais faltoso da Copa contra a Colômbia, Neymar levou joelhada e ficou fora do restante da competição.

Vazamento de incertezas

Gesticulando, gritando, incentivando e corrigindo. Com caras e bocas, o técnico da Seleção Brasileira, Felipão, deu um show extra na beira do campo no jogo contra a Colômbia, na Arena Castelão, em Fortaleza
Gesticulando, gritando, incentivando e corrigindo. Com caras e bocas, o técnico da Seleção Brasileira, Felipão, deu um show extra na beira do campo no jogo contra a Colômbia, na Arena Castelão, em Fortaleza
Foto: VANDERLEI ALMEIDA / AFP

Uma conversa de Felipão com jornalistas de sua confiança lançou uma dúvida sobre a sua convocação. Ele disse que gostaria de ter um outro atleta no grupo, o que implicaria em um possível arrependimento de um nome na Seleção. Estafes dos jogadores se irritaram com a insinuação e os próprios atletas se mostraram incomodados. Já Hulk, ausente contra o México por desconforto muscular, recebeu um chamado público do chefe por teoricamente não ter nenhuma lesão e reclamar de dores.

Insistência em Fred

Fred reage durante partida no Mineirão
Fred reage durante partida no Mineirão
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

O atacante nunca esteve bem na Copa do Mundo. Mesmo assim atuou as seis partidas como titular. A insistência de Felipão em um esquema com um camisa nove e a pouco confiança em Jô fizeram com que o técnico não mudasse seu jogador mais contestado. Resultado: com apenas um gol, Fred se despede como o segundo pior centroavante da história do Brasil em Copas.

Mudanças e mais mudanças da CBF

José Maria Marin visita Seleção Brasileira na Granja Comary
José Maria Marin visita Seleção Brasileira na Granja Comary
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Joachim Low está há oito anos no comando da Alemanha. Neste período, três treinadores passaram pela Seleção, dois no ciclo até a Copa de 2014. A falta de planejamento a longo da CBF cria uma instabilidade no cargo de técnico. Dunga, Mano Menezes, Felipão... Quais serão os próximos?

Fonte: Terra
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