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Seleção tenta apagar desconfianças após semana conturbada

4 jul 2014
09h43
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A Seleção Brasileira tenta apagar nesta sexta-feira qualquer desconfiança do torcedor e da imprensa sobre as chances da equipe em chegar como favorita ao título da Copa do Mundo nesta reta final da competição. Nesta semana, que culmina com a partida diante da Colômbia, pelas quartas de final da competição, o time brasileiro se viu diante de diversas turbulências, como as críticas em torno do choro dos jogadores nos pênaltis contra o Chile e algumas revelações de Felipão em bate-papo com seis jornalistas na Granja Comary.

<p>Técnico Luiz Felipe Scolari viveu uma semana intensa em que fez revelações sobre grupo a jornalistas e rebateu críticas</p>
Técnico Luiz Felipe Scolari viveu uma semana intensa em que fez revelações sobre grupo a jornalistas e rebateu críticas
Foto: Yves Herman / Reuters

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Fora as questões extra-campo, Felipão ainda viu problemas dentro das quatro linhas. Primeiro para achar um substituto para Luiz Gustavo, onde acabou optando pela entrada de Paulinho, depois para achar opções para modificar a forma de jogar a equipe, o que tentou com a entrada de Henrique como primeiro volante e a retirada de Fred do time.  O centroavante, que deve começar como titular contra os colombianos, não gostou muito da alteração.

Confira, em tópicos, os pontos principais da semana agitada da Seleção Brasileira:

Suspensão de Rodrigo Paiva
A semana deu início com a suspensão por um jogo do diretor de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rodrigo Paiva, por um soco desferido no chileno Mauricio Pinilla durante o intervalo da partida de oitavas de final da competição. Pinilla criticou a punição, que considerou branda, chamando Paiva de delinquente e comparando o caso com a suspensão dada ao uruguaio Luis Suárez pela mordida no italiano Chiellini

O assessor de imprensa da Seleção respondeu por meio do site oficial da CBF, dizendo que as provas mostrarão quem iniciou toda a confusão. “Respeito, como sempre respeitei, as decisões da Fifa. O caso está sendo investigado pelo Comitê Disciplinar da entidade, e o mesmo já tem à sua disposição provas da conduta reprovável por parte de membros da delegação chilena e que trarão luz à verdade dos fatos", disse Rodrigo Paiva. A CBF já apresentou sua defesa e o caso segue sendo julgado. Paiva não poderá trabalhar nesta sexta-feira no duelo contra a Colômbia.

Choro da discórdia
Um dia depois da disputa por pênaltis diante do Chile, nas oitavas de final da competição, começou a repercutir entre torcedores e jornalistas a cena de Thiago Silva sentado em cima de uma bola, emocionado longe do grupo brasileiro. O capitão da equipe foi criticado por não estar mais presente entre os jogadores neste momento importante.

<p>Capitão, Thiago Silva sofreu duras críticas pela postura na disputa de pênaltis contra o Chile, no último sábado</p>
Capitão, Thiago Silva sofreu duras críticas pela postura na disputa de pênaltis contra o Chile, no último sábado
Foto: Vanderlei Almeida / AFP

O Brasil passou e o choro de diversos jogadores no gramado também não foi visto com bons olhos por várias pessoas, inclusive alguns psicólogos que fizeram críticas duras às condições emocionais do grupo. "Pode chorar, é uma forma de extravasar a emoção. Mas, antes de um momento importante e decisivo, ver o goleiro e o capitão chorando, e o treinador, em vez de acalmar e motivar, ficar na beira do campo reclamando da arbitragem e xingando adversários demonstram uma falta de controle emocional das mais perigosas", disse João Ricardo Cozac, psicólogo do esporte e presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte.

Na terça-feira, dia seguinte da repercussão negativa da postura dos atletas, a psicóloga Regina Brandão, que cuida dos jogadores da Seleção Brasileira, rebateu as críticas em entrevista ao Terra. "Acho muito anti-ético as pessoas falarem da Seleção, sem trabalhar no nosso projeto e sem saber das informações dos jogadores e do que é feito com a equipe".

Revelações de Felipão em bate-papo
No meio dessa turbulência de críticas pela situação emocional do grupo, o técnico Luiz Felipe Scolari surpreendeu ao descer em direção à área de imprensa durante o treinamento da segunda-feira. A possível visita de Felipão ao local causou uma correria de diversos jornalistas que acompanham à equipe na Granja Comary. O treinador, porém, queria conversar apenas com seis jornalistas com quem tem mais intimidade dentre os que estão diariamente em Teresópolis

Na conversa, o treinador criticou o fato de a imprensa brasileira ter dado um destaque excessivo para o pênalti marcado em cima de Fred, na abertura da Copa do Mundo diante da Croácia, e não ter feito estardalhaço com a simulação admitida por Robben, no pênalti que classificou a Holanda sobre o México. 

Felipão ainda fez algumas revelações fortes envolvendo o grupo da Seleção Brasileira. No bate-papo, registrado pelos profissionais que participaram da conversa, o comandante admitiu problemas no desempenho da equipe nos quatro primeiros jogos do Mundial, e reconheceu problemas com o choro dos jogadores em momentos importantes.

O técnico da Seleção disse ainda que se pudesse trocaria um jogador dentro dos que estão no elenco por um outro que não está presente no grupo de 23 jogadores. As revelações foram vistas com surpresa pelo estafe de alguns jogadores, que não gostaram da exposição do grupo durante esta conversa

Visitas agitam Granja Comary
Depois das duras críticas em relação a um possível abalo psicológico do grupo, a psicóloga Regina Brandão apareceu na Granja Comary na terça-feira para conversar com Felipão e seus comandados. O papo durou cerca de uma hora e, apesar da imprensa desconfiar de que foi uma visita emergencial, a CBF disse que já estava tudo dentro do planejamento. 

Regina, inclusive, aproveitou a oportunidade para rebater quem disse que ela sumiu da preparação da Seleção durante a competição. "A ideia foi continuar o trabalho que a gente tem feito, esse trabalho tem sido acompanhado no dia a dia, então eu falo constantemente com os jogadores. Nos falamos por whatsapp, nos falamos por telefone, por e-mail. Então constantemente eu estou ligada neles e sabendo o que está acontecendo. Acompanhando essas questões psicológicas que vem acontecido ao longo do tempo", disse a psicóloga. 

Um dia depois, foi a vez do presidente da CBF, José Maria Marin, aparecer de surpresa no centro de treinamento da Seleção Brasileira. Coincidentemente, a presença do dirigente aconteceu em um momento que ele também vinha sendo criticado por alguns veículos de imprensa pela omissão dentro do grupo em um período de dificuldades e críticas que a equipe vem sofrendo dentro da Copa do Mundo. 

<p>Atacante Fred não teria gostado de ser tirado do time titular durante treino da Seleção na última quarta-feira</p>
Atacante Fred não teria gostado de ser tirado do time titular durante treino da Seleção na última quarta-feira
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Treino com "pegadinha" e Fred irritado
Depois do jogo contra o Chile, os titulares ficaram longe dos gramados por três dias, voltando a campo apenas na quarta-feira, dois dias antes da partida contra a Colômbia. A atividade contou com uma "pegadinha" do técnico Luiz Felipe Scolari, que desceu para campo com Hernanes, Ramires e Willian entre os titulares, tirando Fernandinho e Fred dos titulares. Após a equipe fazer um aquecimento, Felipão desfez a formação e colocou apenas Paulinho como novidade entre os titulares, no lugar do suspenso Luiz Gustavo.

Durante a atividade, Felipão sacou Fred e Daniel Alves para a entrada de Henrique como primeiro volante e Maicon na lateral direita, deixando a equipe sem um centroavante fixo. O camisa 9 não gostou nada da troca no treino. De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, Fred se queixou ao coordenador técnico Carlos Alberto Parreira. Em dado momento, colocou uma das chuteiras como barreira sobre a boca, provavelmente com a intenção de evitar leitura labial. Parreira ouvia com atenção e falava pouco. Quando havia alguma pausa na conversa, o atacante abaixava a cabeça e olhava em torno para ver se alguém se aproximava.

<p>Felipão alfinetou jornalistas e o técnico holandês Louis Van Gaal</p>
Felipão alfinetou jornalistas e o técnico holandês Louis Van Gaal
Foto: Yves Herman / Reuters
Felipão alfineta jornalistas e treinador holandês
A preparação brasileira terminou com uma entrevista polêmica do técnico Felipão. O treinador respondeu às críticas em torno do bate-papo que teve com os seis jornalistas na Granja Comary, ao qual se referiu como amigos, e rebateu quem não gostou da postura tomada por ele. "Se eu não puder fazer as coisas que gosto de fazer, se tenho que ser pautado pra fazer com A ou B, não adianta, eu vou fazer. Gostou, gostou. Se não gostou, vai para o inferno". 

As alfinetadas do treinador não foram somente para os jornalistas que fazem a cobertura da Seleção Brasileira. O comandante da Seleção também deu mais uma crítica implícita ao técnico Louis Van Gaal, da Holanda, que antes do fim da primeira fase acusou o Brasil de favorecimento por poder escolher o adversário nas oitavas de final. 

"Cinco das oitavas de final terminaram na prorrogação ou nos pênaltis. E um deles não foi porque o time dele, do senhor que disse ter um complô para o Brasil, foi ajudado", afirmou o treinador da Seleção Brasileira, fazendo referência ao pênalti marcado em cima de Robben, que acabou causando a virada dos holandeses sobre o México, no último domingo.

Fonte: Terra
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