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Bom Senso ataca calendário da CBF e cogita novos protestos

7 ago 2014 12h46
| atualizado às 16h28
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O novo calendário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), apresentado nesta quarta-feira, não agradou o Bom Senso FC, que havia proposto um modelo à entidade no início do ano. O goleiro Roberto, da Ponte Preta, falou ao Terra como representante do movimento e mostrou indignação com as alterações apresentadas.

“Não é o modelo que estudamos e passamos para as pessoas. Este novo calendário vai piorar a situação, pois alguns atletas terão 44 dias de emprego. Não importa férias e tempo de preparação. Tem jogador que trabalha três meses e fica nove desempregado, e esse tempo que já era pequeno vai diminuir”.

Um dos líderes do Bom Senso FC, Roberto também explicou que os protestos realizados ano passado foram paralisados a partir do momento em que foram chamados para discutir as demandas, mas não descartou novos, agora que os pedidos não foram atendidos. A greve, porém, é somente em “última instância”.

Bom Senso analisa calendário definido pela CBF para 2015 :

Calendário

Em março deste ano, o Bom Senso FC apresentou sua proposta de calendário e debateu as questões levantadas pelo movimento em um seminário, e na sequência a ideia foi levada à CBF. O modelo divulgado pela entidade nesta quarta, para o ano de 2015, porém, passou longe do planejado pelos jogadores.

“Pensávamos em outra divisão pra atender clubes que ficam sem atividade, aumentar de 14 pra 36-38 jogos para os times pequenos, mas não sei o que passa na cabeça das pessoas. Foi discutido que haveria mudanças, que o futebol precisa melhorar e eles apresentam esse modelo que fere tudo que propusemos. Parece que não foi debatido com ninguém”, ressaltou Roberto.

As datas de estaduais receberam um limite de 19 datas, e terão início em 1º de fevereiro, permitindo uma pré-temporada de 25 dias – o pedido dos atletas era de 30 dias. Porém, para o Bom Senso FC, isso piora para os jogadores de clubes menores, pois com os estaduais começando mais tarde, a contratação também ocorre tardiamente, e o tempo de emprego diminui.

Protesto e greve

Faixas, jogadores sentados e apenas tocando bola depois do apito do árbitro foram algumas das formas que o Bom Senso FC utilizou para demonstrar sua indignação com o futebol brasileiro. Os protestos, porém, foram suspensos depois que iniciaram as conversas com a Rede Globo, CBF e até com o congresso. “Denominamo-nos Bom Senso, então temos que agir assim. Entendemos que as pessoas estavam focadas em tentar nos ajudar, então paramos os protestos, mas quando virmos que não mudou em nada podemos voltar a fazer, porque as reivindicações não foram atendidas”, disse.

A greve, porém, é um assunto mais complicado. “É a última instância, estamos tentando evitar”. Apesar de cobrados, os jogadores têm esperança de quem pode haver melhorias, e que para uma ação extrema, precisam de mais apoio e de uma grande organização. “Juntamos muitos, mas precisamos de mais. Mas na hora de por a cara alguns não querem. Se tiver que fazer precisamos estar bem organizados, não podemos dar tiro no pé”.

Comando e dinheiro

Roberto relatou que o movimento foi cobrado em relação ao dinheiro utilizado pelos líderes do movimento para viagens, como nas conversas com a presidente Dilma Rousseff, e outros seminários e entrevistas. Segundo ele, tudo é custeado por eles, com mensalidades cobradas dos atletas participantes, e por vezes, com ajuda de Dida, Alex e Paulo André, principais representantes.

Ele ainda destacou que, com o crescimento, foi formado um instituto, com ajuda de pessoas para colaborarem na parte burocrática, e para representá-los quando necessário, mas que o comando é dos próprios jogadores.

“É um movimento para melhorar o futebol brasileiro, e é por isso que estou apoiando. Se em algum momento vir que alguém tá se beneficiando, vou a público, sair e explicar motivo”.

Primeiro o futebol, depois o Brasil

“Pessoas que gerem o futebol estão salvaguardadas, achavam que era impossível, mas mostramos essa união, algo que nunca houve no Brasil”. Roberto é confiante na mudança – não do dia para a noite – do futebol brasileiro, e também de toda a sociedade.

“Vamos lutar até que consigamos mudar isso aí. Eu tenho sorte de a Ponte honrar os compromissos, mas não posso deixar de lutar por quem não tem. É o mais forte lutando pelo mais fraco. Se mudar o futebol, podemos mudar todas as estruturas da sociedade. Futebol é o mínimo, tem educação, segurança, transporte...Se mudar o futebol, pode mudar o Brasil. É o sonho e a briga que eu tenho dentro do movimento”.

Representante do Bom Senso fala sobre possibilidade de greve:
Representante do Bom Senso garante: "nós vamos conseguir mudar":

Fonte: Terra
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