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Famílias desabrigadas pela Copa aguardam indenização em Pernambuco

5 jun 2014 18h38
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Julia Arraes.

Recife, 5 jun (EFE) - Cerca de 200 famílias pernambucanas que foram despejadas de suas casas por conta das obras para a Copa do Mundo ainda esperam a indenização do governo de Pernambuco.

Mais de mil pessoas moravam no Loteamento São Francisco, em São Lourenço da Mata, Zona Oeste da Região Metropolitana do Recife, onde agora vai ser construída uma via de acesso à Arena Pernambuco, conhecida como Ramal da Copa.

Dona Aureni da Costa Cavalvanti tem 75 anos, mora com seu filho mais novo e desde novembro do ano passado luta na Justiça pelo pagamento da indenização.

"No começo, quando eu soube que iria ter a Copa aqui, eu fiquei muito feliz. Mas depois eu vi que só veio para destruir a vida da gente. Há seis meses estou pagando R$ 500 de aluguel por um apartamento, mas toda semana vou ao Fórum e na Procuradoria Geral para saber quando meu dinheiro vai sair", contou Dona Aureni à Agência Efe.

Ao todo, 457 famílias deixaram o Loteamento e, até agora, o governo indenizou cerca de 60% delas, de acordo com os dados da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo.

Mas a população local denuncia incoerência nos pagamentos, como no caso de seu Jerônimo de Oliveira, de 74 anos, que tinha uma casa com um pequeno pomar orçada em R$ 150 mil, mas, nos laudos, os técnicos avaliaram o imóvel em R$ 90 mil.

Por pressa e com medo de perder ainda mais dinheiro, Seu Jerônimo aceitou o acordo e comprou uma casa com a primeira parcela do pagamento.

"Esse acordo que eles fazem é meio forçado, quase obrigatório. Porque se eu não aceitasse eu teria que entrar na justiça e esperar muito mais. Já fazia seis meses que eu, minha esposa e meu filho estávamos sem ter onde morar", disse.

E tão atrasadas quanto as indenizações, estão as obras do Ramal da Copa.

O trecho interno da via está pronto desde a Copa das Confederações, em 2013, mas a parte externa, que seria uma avenida com corredores exclusivos para o transporte coletivo, faixa de rolamento para o tráfego misto e ciclovia, não vai ser concluída antes do Mundial.

O custo inicial da via era de R$ 99 milhões, mas hoje a obra já chega a R$ 131 milhões, segundo dados do governo.

Mas, para o secretário-extraordinário da Copa, Ricardo Leitão, as críticas à realização do Mundial são fruto da falta de informação e de uma politização no discurso.

"Imagina 12 cidades recebendo a Copa do Mundo no Brasil e Recife ficando de fora. As pessoas não acreditavam que nós iriamos ser capazes. Duvidaram até que seriamos escolhidos pela Fifa para ser uma cidade-sede. Nós conseguimos e temos um dos melhores desempenhos em relação a todas as outras cidades", afirmou Leitão à Efe.

Ao todo, Recife e sua Região Metropolitana recebem 19 obras de infraestrutura, sem incluir a Arena Pernambuco - um investimento de aproximadamente R$ 1,4 bilhão.

EFE   
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