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Romário rebate Valcke: "não confio nele nem para comprar pão e leite"

16 out 2013
12h59
atualizado às 15h27
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O deputado federal Romário respondeu nesta quarta-feira às declarações do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, que havia afirmado em entrevista ao jornal Extra do último domingo que o ex-jogador tinha "ultrapassado todos os limites da decência". Em nota divulgada pelo seu site oficial, Romário lembrou acusações anteriores que foram feitas ao próprio dirigente.

<p>Romário rebateu críticas de Valcke</p>
Romário rebateu críticas de Valcke
Foto: Bruno Santos / Reprodução

"Fui acusado pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, de muitas vezes ter ultrapassado todos os limites da decência. Piada, né? O cara tem uma reputação suja ao extremo e vem cobrar decência de mim? Eu fiz mais pelo futebol em campo do que esse burocrata jamais poderá fazer atuando rasteiramente em negociatas nos bastidores", iniciou Romário. "Eu não confiaria nele nem se eu precisasse dar R$ 10 do meu bolso para ele comprar pão e leite na padaria da esquina", acrescentou.

Romário afirma na nota que, como legislador, é seu dever fiscalizar o uso do dinheiro público na realização da Copa do Mundo. O ex-jogador disse ainda que "Valcke não é a pessoa mais indicada para fazer negócio com o Brasil".

O ex-atacante acusa o secretário-geral de só ter chegado à Fifa por conta de uma ameaça feita contra a entidade, pois a empresa para qual Valcke trabalhava havia descoberto em 2001 um esquema de propinas na entidade.

"Em 2001, quando ele era executivo de uma empresa francesa de telecomunicações, que pretendia comprar a falida ISL - que negociava com a Fifa os contratos de TV e marketing da Copa do Mundo -, auditores do conglomerado para o qual Valcke trabalhava investigaram as contas e, subitamente, desistiram do negócio. Para o jornalista britânico Andrew Jennings, o grupo de Valcke teria descoberto um esquema de propinas e tentado renegociar os contratos com a Fifa. (...) Em 2003, surpreendente, Jérôme Valcke foi contratado por Blatter para comandar o marketing da Fifa. Vocês podem imaginar por quê?", escreve Romário.

Romário também traz à tona na nota um outro escândalo ao qual Valcke estaria ligado. "A obscura ascenção do francês continuou logo que assumiu a nova função. Valcke comandou a inesquecível negociação em que ele traiu a Mastercard, patrocinadora havia 16 anos da Fifa, para entregar a conta para a concorrente Visa. Foi um escândalo internacional. A Fifa foi processada e Valcke foi acusado de mentir para os dois grupos durante o processo de negociação, fato que ele mesmo admitiu no tribunal. Resultado: a Fifa teve um prejuízo de US$ 90 milhões (R$ 196,3 milhões) para remediar a ambição de Jérôme Valcke", acrescentou o deputado.

Por fim, o ex-atacante afirma que Valcke não pode gostar mesmo de Romário, pois não aluga apartamento para o dirigente e nem oferece festas depois de eventos da Fifa.

<p>"Eu não confiaria nele nem se eu precisasse dar R$ 10 do meu bolso para ele comprar pão e leite na padaria da esquina", disparou Romário</p>
"Eu não confiaria nele nem se eu precisasse dar R$ 10 do meu bolso para ele comprar pão e leite na padaria da esquina", disparou Romário
Foto: Getty Images
Confira a nota na íntegra:

Resposta a Jérôme Valcke: não seria a pessoa mais indicada para fazer negócio com o Brasil

Fui acusado pelo secretário geral da FIFA, Jerome Valcke, de “muitas vezes ter ultrapassado todos os limites da decência”. Piada, né?

O cara tem uma reputação suja ao extremo e vem cobrar decência de mim? Eu fiz mais pelo futebol em campo do que esse burocrata jamais poderá fazer atuando rasteiramente em negociatas nos bastidores.

Na minha opinião, ele tenta desviar a atenção do seu próprio erro. No caso do senhor Valcke, dos seus inúmeros erros e, principalmente, da instituição para a qual ele trabalha e representa, que é apontada em vários países como uma das mais corruptas do planeta.

Ao contrário do que ele declarou, não falei nada negativo sobre esse senhor. Em algumas oportunidades, eu apenas revelei o caráter dele baseado em atitudes indecorosas realizadas no decorrer de sua vida profissional. E fiz isso por duas vezes pessoalmente. Uma delas, inclusive, na sede da própria FIFA, na Suíça. Quem me conhece sabe que eu não mando recado pela imprensa. Ele foi o único a manchar a própria biografia.

Meu papel, como legislador, é fiscalizar e, no caso da Copa do Mundo no Brasil, conhecer e expor o perfil da pessoa com quem o nosso país está negociando tanto dinheiro público para a realizaçao do Mundial de Futebol. Afinal, fui eleito por uma parcela do povo brasileiro como representante e, portanto, legitimado para defender os interesses soberanos do meu país.

E, pelos antecedentes, Jerome Valcke não seria a pessoa mais indicada para fazer negócio com o Brasil. Eu não confiaria nele nem se eu precisasse dar R$ 10 do meu bolso para ele comprar pão e leite na padaria da esquina. Por pelo menos dois motivos:

Primeiro: Em 2001, quando ele era executivo de uma empresa francesa de telecomunicações que pretendia comprar a falida ISL – que negociava com a FIFA os contratos de TV e marketing da Copa do Mundo –, auditores do conglomerado para o qual Valcke trabalhava investigaram as contas e, subitamente, desistiram do negócio. Para o jornalista britânico, Andrew Jennings, o grupo de Valcke teria descoberto um esquema de propinas e tentado renegociar os contratos com a FIFA.

Meses depois, Valcke recebeu uma carta de Joseph Blatter reclamando de ameaças à entidade e a alguns “cavalheiros” da FIFA. Diz um trecho da carta: “a posição da FIFA não será alterada de maneira nenhuma por qualquer ameaça ou tentativa de chantagem”. E eu distribuí a cópia dessa carta aos deputados em uma reunião para tratar da Lei Geral da Copa, em 2011.

Em 2003, surpreendentemente, Jerome Valcke foi contratado por Blatter para comandar o marketing da FIFA. Vocês podem imaginar porquê???

Segundo motivo: a obscura ascenção do francês continuou logo que assumiu a nova função. Valcke comandou a inesquecível negociação em que ele traiu a Mastercard, patrocinadora havia 16 anos da FIFA, para entregar a conta para a concorrente Visa. Foi um escândalo internacional. A FIFA foi processada e Valcke foi acusado de mentir para os dois grupos durante o processo de negociação, fato que ele mesmo admitiu no tribunal. Resultado: A FIFA teve um prejuízo de 90 milhões de dólares para remediar a ambição de Jerome Valcke.

De acordo com a sentença, em 2006, a juíza norte-americana Loretta Preska considerou “a conduta da FIFA no cumprimento de sua obrigação e na negociação para o próximo ciclo de patrocínio não se caracterizou de modo algum como fair-play (jogo limpo)”. Para a juíza, Valcke teria beneficiado a Visa desde o começo e as testemunhas da FIFA ouvidas no julgamento denominaram as quebras contratuais como “mentiras inofensivas”, “mentiras comerciais” e “blefes”.

Pois saiba, Jerome Valcke, no Brasil não diferenciamos a mentira. Toda e qualquer forma de mentira é intolerada e “ultrapassa todos os limites da decência”.

O que mais intriga é que depois do caso em que você não honrou um acordo comercial e traiu deliberadamente a Mastercard, o presidente Blatter chegou a anunciar sua demissão mas, de alguma maneira, apenas seis meses depois dessa cagada, você foi readmitido e ainda promovido a secretário-geral da entidade máxima de futebol. Por isso, tenho uma pergunta:

Joseph Blatter tem motivos para temer você?

As autoridades brasileiras não deveriam confiar no senhor em uma mesa de negociação para assinar qualquer acordo referente à Copa do Mundo!

Vejo com desconfiança sua presença no Brasil negociando com o dinheiro do povo brasileiro. Mas tenha certeza de que sempre manterei meu olhar vigilante nas obras da Copa e nos gastos públicos para garantir que os recursos sejam empregados com responsabilidade e não sejam esbanjados ou até desviados.

Doa a quem doer.

Inclusive é bem natural que o Sr. Jerome Valcke não goste de mim, afinal, eu não alugo apartamento para ele, nem ofereço festa para ele depois de eventos da FIFA em São Paulo.

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Fonte: Lancepress! Lancepress!

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