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Seleção Brasileira de 2006 ainda faz Weggis faturar

28 mai 2010
08h19
atualizado às 08h57
Fernanda Prates

"É lógico que não vamos deixar que aconteça tudo que eu vi e ouvi falar que aconteceu em Weggis". A frase de Dunga deixou claro qual foi o objetivo por trás de todas as (muitas) precauções tomadas este ano em Johannesburgo: evitar a algazarra que foi a passagem da Seleção comandada por Parreira pelo vilarejo de Weggis, na Suíça, em 2006.

Com pouco mais de 4 mil habitantes, a modesta cidadela ficou notória após receber, de braços bem abertos, a Seleção Brasileira. Pagode, videogame, e, dizem as más línguas, "festinhas" com torcedoras embalaram os treinos brasileiros - com direito até a invasão de campo por uma fã enlouquecida. O furacão brasileiro passou, mas deixou rastros.

Sua passagem ainda vive na memória dos locais, que retribuíram a visibilidade trazida pelos ilustres visitantes com um festival e, curiosamente, até uma estrutura urbana.

"Desde a passagem da Seleção, nós celebramos o festival Latino Riviera ao fim de cada mês de maio, só para relembrarmos. Além disso, uma rotatória da cidade tem as cores do Brasil, em homenagem aos jogadores. Nós vínhamos exigindo a construção da rotatória por anos, mas foi apenas com o anúncio da chegada da Seleção que nosso desejo finalmente se concretizou", disse o gerente do Park Hotel Weggis, hotel cinco estelas onde ficou hospedada a Seleção há quatro anos.

Peter é uma das maiores testemunhas da emocionante passagem dos brasileiros. Ele, que já era gerente do hotel na época, lembra vividamente a correria que foi montar o circo para receber os hóspedes, classificando a experiência como uma "bagunça", e os preparativos um "verdadeiro inferno". O gerente ressalta, contudo, que a "zona" rendeu bons frutos para a cidade suíça e seus habitantes, que puderam viver suas duas semanas de fama.

"No hotel, tivemos um aumento de 10 a 15% ao mês nesses últimos três anos. Em geral, os efeitos na economia foram vistosos, não tem como negar. A exposição da mídia também foi incrível, lembro que dei várias entrevistas para a CNN, a BBC. Temos vários artigos de jornais de todo o mundo guardados na época" lembra o gerente, vaidoso. "Hoje em dia, quando eu viajo e menciono Weggis, as pessoas sabem de onde estou falando, automaticamente comentam sobre o Brasil".

Ciente das possibilidades de exposição e turismo, a cidade tratou de se aprumar. A primeira medida foi construir um campo de futebol à altura dos pentacampeões mundiais, com as mesmas dimensões dos estádios de futebol alemães. Para acomodar a mídia, estimada em 900 pessoas, foi necessário reorganizar esquemas de transferência de ônibus e barco. Sem contar as medidas de segurança do hotel, que tiveram que ser reforçadas para conter a empolgada população suíça, em polvorosa com os visitantes. O hotel soube capitalizar em cima da visita. Logo após a saída dos jogadores, leiloou, no site eBay, pernoites em alguns dos quartos usados pelos jogadores. A quantia, que chegou a R$ 5.400, foi entregue a Parreira na época, diz Peter.

Sobre o convívio com os jogadores, o gerente tem apenas boas lembranças. "Eu conheci todos eles. Na bagunça que estava a cidade, o hotel era o lugar mais calmo, então nós ficávamos no lobby, conversando com o elenco. Eram todos muito extrovertidos e engraçados, foi muito divertido".

Craque do time de 2006, Ronaldinho foi o símbolo da fracassada passagem brasileira por Weggis
Craque do time de 2006, Ronaldinho foi o símbolo da fracassada passagem brasileira por Weggis
Foto: Getty Images
Jornal do Brasil Jornal do Brasil

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