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Conheça o brasileiro que ofuscou Messi na Dinamarca

3 nov 2010
12h00
atualizado às 22h26
Emanuel Colombari

De um lado, o espetacular Barcelona, base da seleção espanhola que venceu a Copa do Mundo. Do outro, o quase desconhecido Copenhague, líder do Campeonato Dinamarquês. Porém, na noite desta terça-feira, quando se esperava mais um show do time do argentino Lionel Messi no duelo entre as duas equipes, quem brilhou mesmo foi um brasileiro pouco conhecido, o meia Claudemir.

Baiano da cidade de Macaúbas, Claudemir foi revelado pelo São Carlos, que disputa a Série A-3 do Campeonato Paulista. Três anos depois de defender o clube na competição estadual, e longe do Estádio Luís Augusto de Oliveira, o jogador dividia o gramado do Parken Stadion com nomes como Puyol, Piqué, Xavi, Iniesta, David Villa e Messi. E não se intimidou: além de ser o atleta que mais correu em campo (12,110 km, segundo estatísticas da Uefa), fez o gol do time dinamarquês no empate por 1 a 1.

Porém, nada que surpreenda Júlio César Bianchim, presidente do São Carlos, que acompanhou de perto os primeiros anos de Claudemir. "Ele era um jogador que se destacava pela qualidade técnica e pela força física que tinha - não visualmente, mas era uma resistência muito boa. É um atleta de boa qualidade, e extracampo é um profissional muito bom", destaca Bianchim, em entrevista ao Terra por telefone.

Depois de um início discreto de carreira, o jogador foi atuar no futebol holandês, onde defendeu o Vitesse entre 2008 e 2010. No meio deste ano, Claudemir acertou com o Copenhague. E não só foi contratado, como ainda é ligado ao clube até 2015. Ex-patrão do jogador, Bianchim conta como aconteceu a saída do meia do São Carlos para um clube da primeira divisão da Europa.

"Ele é um jogador bastante voluntarioso, com um preparo físico muito bom, que chama a atenção. Foi destaque na Copa São Paulo de 2007 com a gente aqui, jogou campeonato júnior, profissional", diz o dirigente, que conta que o meia ganhou projeção com boas campanhas também na Série A-3 daquele ano. "Os olheiros, representantes da Holanda estavam observando jogadores no Brasil. Viram ele, gostaram e levaram", explica.

Na Holanda, ainda que não tenha brilhado, teve números satisfatórios. Foram 34 jogos e dois gols no Campeonato Holandês da temporada 2008/2009, segundo o site português ZeroZero. No campeonato seguinte, 2009/2010, foram 22 jogos e quatro gols. Foi o suficiente para que o camisa 6, de 1,85 m e 72 kg (dados do site oficial de seu atual clube) despertasse a atenção do Copenhague, que o contratou em junho.

Na noite desta terça-feira, correu, fez gol, trocou passes e desarmou - até o próprio Messi perdeu bola para o camisa 6. "É uma característica dele, dedicado taticamente. O treinador (Stale Solbakken) deve ter pedido para ele acompanhar de perto. Com certeza ele fez bem, da maneira que sempre fez com a gente", diz o presidente do São Carlos.

Com o 1 a 1 na Dinamarca, o Copenhague chegou aos sete pontos em quatro jogos na Liga dos Campeões. É o atual vice-líder do Grupo D, com um ponto a menos que o próprio Barcelona. O resultado ainda adiou a classificação do time espanhol para as oitavas de final do torneio, além de colocar o clube de Claudemir em boa situação para brigar por uma vaga na segunda fase - o Rubin Kazan, terceiro da chave, tem três pontos.

Com um contrato longo, o meia, 22 anos, não deve voltar ao Brasil tão cedo. "Falo com ele sempre. Ele está bastante contente lá, está feliz com a evolução dele. Mas aqui (no Brasil) ele nunca teve uma proposta para retornar. Saiu com 20 anos, então nunca teve uma proposta boa. Na época, a gente chegou a oferecer ele para dois clubes - um foi o São Paulo. Mas clube do interior, quando oferece, sofre uma restrição. A única oportunidade que a gente teve foi mandar ele para fora", explica o dirigente, que vai além.

"A gente ficaria contente de ver ele jogando a Série A do Brasileiro, mas ver ele jogando a Liga dos Campeões, um campeonato de altíssimo nível, é gostoso. De repente, ver ele jogando com a camisa da Seleção Brasileira seria um dos fatos mais interessantes para gente", acrescenta Júlio César Bianchim.

Claudemir, 22 anos, chegou a ser oferecido ao São Paulo; meia atuou também pelo Vitesse, da Holanda
Claudemir, 22 anos, chegou a ser oferecido ao São Paulo; meia atuou também pelo Vitesse, da Holanda
Foto: AP
Fonte: Terra

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