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Josef Bican, o maior artilheiro na história do futebol europeu

25 abr 2013
10h10
atualizado às 10h40

Nem Ferenc Puskas, nem Gerd Müller, nem Eusébio. O maior artilheiro europeu da História é Josef "Pepi" Bican, um atacante austríaco que, mesmo sendo tão efetivo diante dos goleiros, acabou esquecido pela maioria dos torcedores.

Bican nasceu há quase um século, no dia 25 de setembro de 1913, em um bairro operário de Viena, filho de um casal tcheco que se mudou para a Áustria quando a capital ainda era um império multiétnico.

A Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) o considera, com 518 gols marcados, o principal goleador europeu em jogos da primeira divisão, à frente do húngaro Puskas.

Bican só foi superado por Pelé, que fez 541, apesar de ter atingido a marca em 560 jogos. "Pepi" marcou 518 gols em 341, média de mais de um gol e meio por encontro.

A IFFHS deu a Bican em 2000 o prêmio de artilheiro do século XX, pelas 12 vezes em que foi "goleador" na primeira divisão, um número que ninguém alcançou até hoje.

Reza a lenda que em toda a sua carreira, o jogador fez 5 mil gols. O atacante estreou aos 17 anos no Rapid Viena, em 1931, com um hat-trick contra o grande rival de sua equipe, o Austria Vienna.

Após a passagem pelo Rapid, Bican foi jogar no Admira Vienna, e em 1937 chegou ao Slavia Praga, clube no qual se aposentou em 1955, quando o clube tcheco já havia sido rebatizado como "Dínamo" por conta do regime comunista.

Relatos da época diziam que o jogador corria 100 metros em 10s80, era dotado de uma técnica apurada com ambos os pés e ótima finalização, e só errava uma a cada 20 oportunidades.

Bican era, ao lado do meia Mattias Sindelar, o grande nome da seleção austríaca dos anos 30, uma das melhores do mundo, conhecida por um futebol de passes curtos.

Sindelar, chamado de "Mozart do futebol", "flutuava" sobre o gramado por conta de sua elegância com a bola.

Os dois levaram a seleção austríaca à semifinal da Copa do Mundo de 1934, mas a equipe foi derrotada por 1 a 0 pela Itália em partida que contou com muitos lances polêmicos.

Momentos após a eliminação, foi descoberto que o árbitro do jogo havia jantado na noite anterior à partida com o então ditador italiano Benito Mussolini.

Após a anexação da Áustria pelo Terceiro Reich em março de 1938, Bican se negou a jogar pela Alemanha nazista e pediu nacionalidade tchecoslovaca.

Em novembro de 1939, já em plena Segunda Guerra Mundial, um hat-trick seu evitou a vitória da Alemanha contra a seleção do Protetorado de Boêmia e Morávia, em jogo que acabou empatado em 4 a 4.

"Bican era bilíngue e foi educado em duas culturas, não podia propagar os princípios ideológicos do nazismo", disse Roman Horak, historiador da Universidade de Viena.

Após a Segunda Guerra Mundial, o craque rejeitou uma oferta da Juventus porque acreditava que a Itália seria tomada por um regime comunista, o que fez com que ficasse na Tchecoslováquia.

No entanto, os principais problemas ocorreram após a chegada dos comunistas tchecos ao poder, em 1948.

"Ele nunca se filiou a nenhum partido comunista e se manteve afastado do poder", disse Horak, encarregado há cinco anos de ler o discurso em sua homenagem no cemitério de Praga.

O regime comunista o classificou como "ídolo burguês" e tentou diminuir sua popularidade, apesar de seus fãs continuarem fiéis ao ídolo.

Com 40 anos de idade, fez 57 gols na temporada de 1953/54, mesmo com 40 anos, e se aposentou um ano mais tarde como um herói.

A grande questão é: Por que Bican não é mais conhecido?

"A explosão midiática do futebol internacional aconteceu com a Eurocopa no fim dos anos 50. Nela, apareceram figuras como Puskas e Di Stefano. Bican é de uma geração anterior", afirma Horak.

Após encerrar a carreira, o lendário jogador teve que trabalhar como operário, motorista de ônibus e chegou a alimentar animais ferozes no zoológico de Praga.

Josef Bican também criticava a mercantilização do futebol, além dos salários astronômicos recebidos por atletas que considerava medíocres.

"Bican era uma pessoa tímida e sempre teve fama de ser um cavalheiro", disse o historiador Horak.

O Slavia Praga planeja realizar uma homenagem ao centenário daquele que foi um de seus maiores atletas, o que deve acontecer no segundo semestre.

EFE   

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