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Herói de 2010, Iniesta acaba "ilhado" em naufrágio espanhol

19 jun 2014
08h32
atualizado às 08h52
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Da alegria máxima por haver marcado o gol do primeiro título mundial da Espanha à desilusão completa em quatro anos. Andrés Iniesta foi o retrato da decepção e da incredulidade após a derrota por 2 a 0 para o Chile, que eliminou os atuais campeões da Copa do Mundo já na segunda rodada. Um dos pouquíssimos jogadores que manteve um alto nível de atuação nas partidas contra holandeses e chilenos, o meio-campista terminou o Mundial como começou: sozinho.

<p>Iniesta foi praticamente o único que manteve o nível alto de atuação da seleção espanhola; ao seu redor, seus colegas sucumbiram</p>
Iniesta foi praticamente o único que manteve o nível alto de atuação da seleção espanhola; ao seu redor, seus colegas sucumbiram
Foto: Getty Images

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O jogo coletivo, eficiente e envolvente, não apareceu para a Espanha em 2014. O que se viu foi um time que rodava a bola lentamente à procura de brechas que quase nunca apareciam, mais hesitante do que nunca em finalizar, e frouxo na marcação. A salvação foi Iniesta, o único que pareceu não ter cedido à imensa pressão contrária da torcida na Fonte Nova e no Maracanã: os dribles curtos, passes incisivos e técnica perfeita vieram com ele ao Brasil, mas não foram suficientes para compensar as deficiências da equipe.

"É muito duro, pelo momento, pela esperança que tínhamos nisso, pela torcida... Bem, poucas palavras na verdade. É um momento muito difícil...", gaguejou Andrés aos jornalistas após a partida, balançando a cabeça e incapaz de encontrar palavras. Minutos antes, foi possível vê-lo encostado a uma parede, com expressão vazia, olhando para o nada. Impossível não lembrar do contraste com sua explosão de felicidade ao fazer o gol contra a Holanda na final de 2010.

"É uma situação difícil para todos. Ficamos no topo durante muito tempo, mas o esporte é assim, você precisa fazer as coisas bem. Se não ganhamos, foi por questões meramente futebolísticas... De resto, é complicado falar. Não conseguimos, nos pesa muito, a esperança era tremenda de nossa parte. Por tudo que vivemos ultimamente, é muito pior", afirmou.

E o que a Espanha viveu ultimamente foi a maior sequência vitoriosa de uma seleção na história do futebol – ganhou a Euro 2008, a Copa 2010 e a Euro 2012, sempre exibindo um futebol que primava pelas combinações inigualáveis entre seus jogadores em campo. Desta vez, porém, nem fora dos gramados o entrosamento aconteceu, e Iniesta deixou o Maracanã discordando do volante Xabi Alonso, que viu "falta de fome" para a atual geração.

"É sua opinião", minimizou o jogador do Barcelona. "A verdade é que, quando não saem as coisas, nunca é por falta de querer ganhar. Quando saímos ao campo, todos queremos. Não estivemos à altura da situação por algumas circunstâncias, mas para mim não há um problema assim. Estivemos no mais alto e agora estamos no mais baixo. É algo que ninguém espera".

De fato, ninguém na seleção espanhola parecia considerar remotamente a possibilidade de ser eliminado na primeira fase da Copa de 2014. Os rostos dos jogadores, em sua maioria, expressavam abatimento e decepção. Nenhum, porém, tão triste quanto Andrés Iniesta, talvez um dos poucos que tenha se credenciado a permanecer na seleção quando a inevitável renovação acontecer em breve.

Fonte: Terra
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