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Justiça francesa investiga suspeita de propina na escolha do Rio para sediar Olimpíada

3 mar 2017
14h22
atualizado às 14h28
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A Justiça francesa está investigando suspeitas de pagamento de propina na escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, revelou o jornal "Le Monde" nesta sexta-feira.

Justiça francesa investiga se houve corrupção na escolha do Rio como sede da Olimpíada
Justiça francesa investiga se houve corrupção na escolha do Rio como sede da Olimpíada
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com

Três dias antes da cidade - em 2 de outubro de 2009, em uma cerimônia em Copenhague, na Dinamarca - ser eleita sede olímpica, o empresário brasileiro Arthur Cesar de Menezes Soares Filho teria pagado US$ 2 milhões (cerca de R$ 6,3 milhões) ao filho de um membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) na época, afirma o diário francês.

Soares Filho, conhecido como "Rei Arthur", é ex-dono do grupo Facility - principal fornecedor de mão de obra terceirizada para o governo do Rio - e amigo do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), hoje preso da operação Lava Jato.

Ele está sendo investigado pela operação Calicute, que apura o desvio de dinheiro público em obras no Rio.

Em entrevista à BBC Brasil, Jean-Marc Toublanc, secretário-geral da Procuradoria Nacional Financeira (PNF) da França, preferiu não comentar as informações publicadas pelo Le Monde , mas afirmou que o órgão, formado por magistrados especializados em crimes financeiros, investiga atualmente "vários casos envolvendo a Federação Internacional de Atletismo e a atribuição de cidades para os Jogos Olímpicos".

Dois depósitos

Documentos enviados pelo Fisco americano à Justiça francesa revelam, segundo o Le Monde , que Soares teria feito dois depósitos, um de US$ 1,5 milhão e outro de US$ 500 mil, ao filho de Lamine Diack, na época presidente da Federação Internacional de Atletismo (FIA) e membro do COI.

A transferência dos recursos teria sido feita por meio da holding Matlock Capital Group, atribuída a Soares e sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, para a Pamodzi Consulting, empresa de Papa Massata Diack, filho de Lamine, baseada em Dakar, no Senegal.

Papa Massata, ex-consultor de marketing da Federação Internacional de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), é acusado de ter acobertado casos de doping no atletismo russo e é objeto de um mandado de prisão da Interpol a pedido da Justiça francesa, que investiga o caso.

Seu pai foi indiciado na França, acusado de corrupção, nas investigações sobre os casos de doping de atletas russos.

Empresário brasileiro teria pago milhões de dólares a filho de membro do COI
Empresário brasileiro teria pago milhões de dólares a filho de membro do COI
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com

'Trapaça'

"A Justiça francesa dispõe de elementos concretos que questionam a integridade do processo de atribuição dos Jogos Olímpicos. O Rio teria trapaceado", escreve o Le Monde .

Na disputa final, o Rio venceu Madri por 66 votos a 32. A capital espanhola havia, no entanto, liderado o primeiro turno das votações, mas a tendência se inverteu na segunda etapa.

"É um caso de ficção olímpica. A eleição da Rio 2016 foi clara: 66 votos contra 32. Foi uma vitória límpida. Estamos 200% tranquilos em relação ao fato de que não fizemos nada fora das regras", afirmou Mario Andrada, porta-voz da Rio 2016, ao jornal francês.

À BBC Brasil, Mario Andrada afirmou ter "100% de certeza" de que o Rio foi escolhido em uma "eleição limpa", sem nada de ilegal ou incorreto no processo.

"A vitória do Rio foi por uma larga margem, com 66 votos a 32. Isso deixa claro que o Rio era a cidade preferida dos membros do COI", afirma. "Todos os dados e todos os documentos da campanha estão e sempre estiverem abertos."

Andrada diz que o comitê não tem "nenhuma relação com as pessoas citadas" na reportagem do Le Monde . "Temos o maior interesse de colaborar com os investigadores franceses, mas temos certeza de que não temos nada a ver com isso", afirma.

Em 2 de outubro de 2009, dia da votação em Copenhague, Papa Massata Diack teria transferido quase US$ 300 mil (cerca de R$ 946 mil), a partir de sua empresa Pamodzi Consulting, a uma "misteriosa estrutura", diz o Le Monde , a Yemi Limited, sediada nas Ilhas Seichelles.

Segundo o jornal, a Yemi Limited, citada no escândalo dos Panama Papers - referência ao escritório no Panamá especializado em empresas off-shore -, teria tido como dirigente Frankie Fredericks e, depois, a partir de 2005, sua esposa.

Fredericks, ex-corredor da Namíbia, é atualmente membro do COI e presidente da comissão de avaliação das Olimpíadas de 2024, à qual a França é candidata.

De acordo com o Le Monde , Fredericks estava presente na cerimônia em Copenhague que escolheu o Rio e participou, pelo COI, da contagem dos votos.

Em nota, o Comitê Olímpico Internacional disse que "continua plenamente empenhado em esclarecer esta situação, trabalhando em cooperação com o procurador".

"Esta cooperação já conduziu ao fato de que Lamine Diack, que anteriormente era membro honorário do COI, não desempenha qualquer função no COI desde novembro de 2015. O COI contatará novamente as autoridades judiciárias francesas para receber informações nas quais o artigo do Le Monde parece estar baseado", continua o texto.

João Havelange, presidente da Fifa, em cerimônia de escolha do Rio, em 2009
João Havelange, presidente da Fifa, em cerimônia de escolha do Rio, em 2009
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com

Sobre Fredericks, a instituição disse que o dirigente procurou o COI, explicou a situação e enfatizou sua inocência logo após ser procurado pelo jornalista.

"O COI confia que Fredericks trará todos os elementos para provar sua inocência contra as alegações feitas pelo Le Monde ."

Segundo o comitê, Fredericks explicou que o suposto pagamento foi feito pela Pamodzi Sports Consulting, que era dirigida por Papa Massata Diack e tinha ligação com "a promoção, desenvolvimento de propriedades esportivas em conexão com o Programa de Marketing da IAAF, eventos da IAAF e o marketing do Programa de Atletismo Africano 2007/2011".

"Fredericks tinha um contrato de marketing com a Pamodzi Sports Consulting entre 2007 e 2011", informou o comitê.

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