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Conheça o atleta que derrotou Hitler e enfezou os nazistas

O corredor americano Jesse Owens, negro, desafiou a suposta ‘pureza alemã’ em 1936, três anos antes da 2ª Guerra Mundial

18 ago 2016
10h20

A Rio 2016 já tem muitos eventos significativos, momentos marcantes, históricos até. Mas um deles certamente ficará eternizado: a medalha de ouro de Thiago Braz, o saltador brasileiro com vara que derrotou o francês campeão olímpico e mundial Renaud Lavillenie.

Mau perdedor, o francês saiu do estádio bufando, depois de ter sido desconcentrado pela torcida brasileira, afoita nas arquibancadas. Aos jornalistas, em uma declaração para lá de infeliz, Renaud se comparou ao corredor negro americano Jesse Owens, hostilizado pela torcida nos Jogos de Berlim 1936, berço da Alemanha Nazista, e ignorado por Adolf Hitler.

Jesse Owens, então com 23 anos, foi aos Jogos de Berlim 1936 não para bater um, mas quatro recordes olímpicos: 100 e 200 metros rasos, revezamento de 400 metros e salto em distância
Jesse Owens, então com 23 anos, foi aos Jogos de Berlim 1936 não para bater um, mas quatro recordes olímpicos: 100 e 200 metros rasos, revezamento de 400 metros e salto em distância
Foto: Facebook / Reprodução


Como se sabe, a 2ª Guerra Mundial só começaria três anos depois, mas segundo os historiadores, seria Owens que imporia a primeira grande derrota àqueles que esperavam uma demonstração cabal da superioridade ariana no esporte.

Neto de escravos, originário do Alabama e sétimo filho de uma família de colhedores de algodão, Jesse Owens, então com 23 anos, foi a Berlim não para bater um, mas quatro recordes olímpicos: 100 e 200 metros rasos, revezamento de 400 metros e salto em distância. Nessa última modalidade, a vitória foi sobre o alemão Lutz Long.

Embora seja considerado um ícone do olimpismo, da superação e da igualdade pelo esporte, Jesse Owens nunca teve, em vida, o reconhecimento digno de seus feitos – apesar de ter batido oito recordes mundiais, em diversas modalidades
Embora seja considerado um ícone do olimpismo, da superação e da igualdade pelo esporte, Jesse Owens nunca teve, em vida, o reconhecimento digno de seus feitos – apesar de ter batido oito recordes mundiais, em diversas modalidades
Foto: Facebook / Reprodução


Hitler, que estava presente no Estádio Olímpico de Berlim, recusou-se a descer da tribuna para cumprimentar Owens e outro medalhistas negros.

A título de curiosidade, a prova dos 100 metros rasos, dominada desde 2008 pelo jamaicano Usain Bolt, teve um brasileiro nas eliminatórias de 1936, o cadete carioca Oswaldo Ignácio Domingues. General reformado do Exército do Brasil, Domingues morreu em 2009, aos 91 anos, no Rio.

Discriminação e falta de reconhecimento

Embora seja considerado um ícone do olimpismo, da superação e da igualdade pelo esporte, Jesse Owens nunca teve, em vida, o reconhecimento digno de seus feitos – apesar de ter batido oito recordes mundiais, em diversas modalidades.

“Quando voltei de Berlim, continuei não podendo entrar pela porta da frente dos ônibus e continuei não podendo morar onde eu quisesse. Também não pude fazer publicidade de alcance nacional porque não seria aceito no Sul. Hitler não me cumprimentou, mas também não fui convidado para ir à Casa Branca receber os cumprimentos do presidente do meu país”, lamentou o atleta, referindo-se aos anos amargos da divisão racial nos Estados Unidos.

Naquele tempo, quem presidia a América eram Franklin Delano Roosevelt, que sequer lhe mandou um telegrama para parabeniza-lo.

“Quando voltei de Berlim, continuei não podendo entrar pela porta da frente dos ônibus e continuei não podendo morar onde eu quisesse. Também não pude fazer publicidade de alcance nacional porque não seria aceito no Sul”, disse o ex-atleta
“Quando voltei de Berlim, continuei não podendo entrar pela porta da frente dos ônibus e continuei não podendo morar onde eu quisesse. Também não pude fazer publicidade de alcance nacional porque não seria aceito no Sul”, disse o ex-atleta
Foto: Facebook / Reprodução


Apesar de ser considerado um fenômeno no país inteiro, quando viajava com sua equipe, Owens era obrigado a frequentar “hotéis e restaurantes para negros” em várias cidades.

Quando morreu, com apenas 66 anos, em 31 de março de 1980, de um câncer decorrente de seu vício em tabaco, o então presidente norte-americano Jimmy Carter, declarou: “Talvez nenhum outro atleta em todo o mundo, em todos os tempos, tenha simbolizado melhor a luta humana contra a tirania, a miséria e o racismo”.

Homenagens póstumas

Como se viu na Rio 2016 – apesar do exemplo dado pelo francês Renaud completamente fora de contexto –, o legado de Jesse Owens, mesmo após 80 anos de seus feitos, continua vivo na memória dos atletas.

Quatro anos atrás, na inauguração do Hall da Fama da Associação Internacional de Atletismo (IAAF), Owens figurou na primeira turma de homenageados
Quatro anos atrás, na inauguração do Hall da Fama da Associação Internacional de Atletismo (IAAF), Owens figurou na primeira turma de homenageados
Foto: Facebook / Reprodução


Em Berlim, o dormitório utilizado por ele se tornou um museu, com fotos suas nos Jogos de 1936 e até a carta de um fã, pedindo para que nunca apertasse a mão de Hitler.

Quatro anos atrás, na inauguração do Hall da Fama da Associação Internacional de Atletismo (IAAF), Owens figurou na primeira turma de homenageados.

Fonte: Terra

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