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Olimpíada 2016

Thiago Braz foi abandonado pelos pais aos 2 anos: "perdoei"

Getty Images
16 ago 2016
15h01
atualizado às 15h04
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Um grande campeão sempre tem uma história que combina dedicação, força de vontade e superação. Não foi diferente com Thiago Braz da Silva, 22 anos, ouro no salto com vara e cuja vida é marcada por dramas íntimos desde a infância. Abandonado pelos pais quando ainda era menino, ficou dias com uma mochila nas costas para aguardar o retorno deles. A espera em vão seria capaz de destruir o futuro de qualquer criança. Menos o de Thiago, então com 2 anos e hoje número 1 do atletismo do Brasil.

"Meus pais brigavam muito, não sei direito a história completa. Eram muito jovens. Fui morar com meus avós (Maria do Carmo e Orlando) e tive também o apoio de meu tio, Fabiano, ex-atleta. Nos momentos de dificuldade, meu pai não estava presente, mas a minha avó me abraçou e me ensinou a perdoá-los. São seres humanos e merecem o meu perdão. Já os perdoei, a gente tem contato, sei onde moram para que eu possa ajudá-los."

O tom das declarações, durante entrevista coletiva na tarde desta terça na Casa do Time Brasil, explica o sucesso do atleta, tal a serenidade e o equilíbrio com que abordou o tema, diante de mais de uma centena de jornalistas do mundo todo.

Nascido em Marilia (SP), mesma cidade do primeiro medalhista olímpico da natação brasileira, Tetsuo Okamoto, Thiago começou a saltar com 14 anos, no ano dos Jogos Pan-Americanos do Rio (2007). Encheu os olhos de treinadores e de outros atletas e teve uma ascensão no esporte proporcional à velocidade com que Usain Bolt cruza uma pista. Em tão pouco tempo, juntou-se à galeria de Adhemar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz e Maurren Maggi.

Ele atribui parcela importante de sua reviravolta à avó, Maria do Carmo, com quem tem uma relação de profundo afeto. Durante anos, ela tem sido sua grande incentivadora. Exigente, só admitia uma hipótese nos dias de competição - que Thiago vencesse as provas.

Emocionado e ainda sem descansar depois da conquista, no final da noite de segunda, no Engenhão, Thiago enalteceu o papel de seu treinador, o russo Vitaly Petrov, o mais respeitado técnico do salto com vara, responsável pela preparação de Sergei Bubka, Yelena Isinbayeva e Fabiana Murer, entre outros nomes consagrados da modalidade. "Tenho o meu pai no céu e ele é o meu pai na Terra."

Ao seu lado, Petrov contou que ficou impressionado ao ver pela primeira vez Thiago em ação, em Brasília, em 2009. O atleta treinava para os Jogos Olímpicos da Juventude e o técnico passou a convencer seus colegas brasileiros de que o mais apropriado seria trabalhar aquele jovem talento para a olimpíada de adultos. "Sou um pouco pai, amigo e ditador. E ele sabe disso", comentou Petrov, com bom humor.

Thiago agradeceu à torcida que o ovacionou no Engenhão e reconheceu que as vaias atrapalharam o francês Renaud Lavillenie, o grande favorito da prova. "Eu mantive o controle, não perdi o foco. Não imaginava o ouro e fui surpreendido pelo resultado." O novo xodó do esporte nacional quer agora descansar e tentar administrar a fama refletida em seus perfis sociais. "Eu tinha até ontem dois mil seguidores no Instagram. Já são mais de 48 mil."

 

Fonte: Silvio Alves Barsetti

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