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Especial São Januário, 90 anos: Um estádio que joga por música

Palco de glórias e de resistência, estádio viu sua importância transformada em canções que são entoadas pelos torcedores nas arquibancadas

16 abr 2017
09h03
atualizado às 10h54
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A saga do Vasco em São Januário abriga lembranças de títulos, gols, ídolos e muitas histórias na memória dos seus torcedores. Porém, com o passar do tempo, a força do Cruz-Maltino no seu estádio passou a ser traduzido também em músicas.

As histórias do estádio não ficaram entoadas somente na arquibancada: no selo comemorativo dos 90 anos de inauguração de São Januário estampado no uniforme do Vasco, está a frase "Aqui ergui meu templo para vencer". Autor da música "Camisas Negras", que traz este verso, Marcelo Panoeiro se disse orgulhoso com a lembrança:

- Fiquei surpreso, chegaram a me provocar perguntando se eu cobraria pela frase, mas eu jamais faria isto com o Vasco. O clube só merece a dedicação e o amor de cada vascaíno. Torço pelo Vasco como torço por um filho. E fiquei muito orgulhoso de ver essa homenagem, já vivi muita coisa boa em São Januário - disse, ao LANCE! .

O engenheiro foi modesto ao contar como surgiu a inspiração para a música. Além de definir São Januário como um "monumento". os versos de sua autoria falam sobre a luta contra o racismo que marca o Vasco:

- Eu brinco que não tenho mérito nenhum na música. Na verdade eu só transcrevi a história do Vasco (risos). Eu queria fazer uma música de exaltação, em um momento em que as arquibancadas eram tomadas por cânticos de violência. Veio esta ideia da volta ao passado, a luta pela inclusão social no futebol... As coisas foram fluindo, e chegou São Januário, que materializa a resposta histórica a quem lutava para que o Vasco não existisse - e completa:

- Foi difícil, escrevia uma letra, voltava depois de alguns dias... Acho que mudei umas 20 vezes. Não domino a arte de escrever, sou engenheiro.

'SÃO JANUÁRIO, MEU CALDEIRÃO'

Outra música com ares de exaltação ao Vasco traz referência a São Januário. Adaptação da música "Bebendo Vinho", de Wander Wildner, "São Januário, Meu Caldeirão" surgiu graças a uma "ousadia" de um então jovem torcedor com veia de compositor:

- Foi no começo da Guerreiros do Almirante. A gente estava começando a criar músicas, estava adaptando principalmente as que vêm de torcidas sul-americanas, quando veio esta ideia de fazer uma versão de uma música feita para o Grêmio (a paródia "Vou Torcer Pro Grêmio Bebendo Vinho"). Comecei a escrever e, ainda na comunidade que a gente tinha no Orkut, divulguei a letra. Na época eu tinha 16, 17 anos, não imaginava que a repercussão ia ser tão grande - revelou Pedro Otávio Bandeira, o Pingo, ao LANCE! .

Além da citação ao estádio, há a recordação ao Expresso da Vitória e ao célebre gol de Juninho contra o River Plate, na semifinal da Copa Libertadores de 1998, que rendeu um encontro histórico para Pingo:

- Um ou dois anos depois, a Rede Globo mostrou uma imagem da torcida cantando, tendo embaixo uma legenda da letra, isso ajudou muito. E até conheci o Juninho, que queria saber quem fez a música "do gol Monumental". Foi muito gratificante.

ESTÁDIO É VISTO COMO 'SEGUNDA CASA' PARA AUTORES

Além da paixão pelo Vasco, São Januário traz páginas com boas lembranças para os autores das duas músicas mais marcantes entoadas nas arquibancadas. Autor de "São Januário, Meu Caldeirão", Pingo apontou a atmosfera mais marcante do estádio:

- Além desse orgulho do Vasco ser o único clube a ter um estádio próprio no Rio de Janeiro, e construído com seus recursos próprios, gosto desta maneira como é São Januário. Um estádio com ares de sul-americano, com torcida atrás do gol, que fica perturbando o adversário. Por isto, surgiu esta expressão "caldeirão", que define tudo. E além disto é minha segunda casa, vascaíno sempre se sente bem aqui.

Marcelo Panoeiro, autor de "Camisas Negras", destacou a sensação de acolhimento, mas pediu melhorias como presente de aniversário do Vasco após 90 anos da inauguração:

- Sem dúvida, é o lugar onde o vascaíno se sente acolhido. Já levei filhos e amigos de fora do Rio de Janeiro para lá, e todos se sentiram bem. Mas é um lugar que merecia melhor tratamento, especialmente na questão do acesso e do entorno.

LANCE!

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