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Sósia de Guerrero, Léo Jabá mostra origens e quer fazer história no Timão

4 ago 2015
08h26
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O cabelo raspado nas laterais e penteado para o lado no topo da cabeça só aumenta a semelhança já criada pelos lábios grossos e a pele morena. Algumas tatuagens pelo corpo e umas espinhas a menos deixariam Léo Jabá praticamente idêntico ao ex-corintiano Guerrero. E é justamente o lugar que até outro dia era do peruano que o jovem atacante, que acaba de completar 17 anos, pretende ocupar: a camisa 9 do Timão.

Destaque na base do Corinthians, na qual acumula títulos e artilharias, o garoto estreou há duas semanas pela equipe profissional, em amistoso contra o ABC-RN. Em cerca de 15 minutos em campo, se movimentou muito, fez boas jogadas e empolgou torcedores, que passaram a pedir a sua promoção definitiva ao time de cima. O momento é propício. Os atacantes que Tite tem à disposição não vão bem, e o clube encontra dificuldades na tentativa de se reforçar.

Léo, por ora, está no sub-20, mas é monitorado de perto pela direção alvinegra e diz não ter pressa. A família ajuda a manter o pés no chão e não se deslumbrar com dinheiro, fama e até as garotas.

- Todo mundo fica bonito com a camisa do Corinthians - brinca, antes de falar mais sério:

– Nunca pensei em estrear pelo profissional aos 16 anos. Meu pensamento era jogar a Copa São Paulo, ser campeão, e aí sim subir. Graças a Deus veio antes, mas fico tranquilo. Tenho vontade, ansiedade... Mas tudo tem sua hora, vou aguardar – afirmou, à reportagem do LANCE!, que recebeu em sua casa em Santo André, cidade do ABC Paulista.

À vontade no local onde cresceu, a joia falou sobre o início da carreira, as dificuldades enfrentadas e até as duras da mãe, que se incomodava com o "vício" do menino em jogar futebol. Ela chegou a matriculá-lo nas aulas de natação e até esconder bolas, mas Léo se virava chutando meias, latas e até cocos.

Se a semelhança de Léo é com Guerrero, a inspiração é em outro ídolo da Fiel: Emerson Sheik. O hoje flamenguista o apadrinhou há alguns anos e desde então a amizade entre ambos só cresceu. Eles trocam mensagens, se encontram e aproveitam momentos juntos quando há oportunidade. Com brilho nos olhos, Léo elogia o atacante sempre que pode.

A trajetória de ambos tem uma semelhança. Assim como Sheik, Jabá começou na base do São Paulo. Ele deixou o rival aos 11 anos, após ser descoberto por um treinador da base alvinegra.

O garoto, porém, diz não ter o lado polêmico do ídolo e afirma ser mais tímido que Sheik. Mas em campo encontra alguns traços em comum:

– Tenho a velocidade e a força, assim como o Emerson, e ajudo a marcar. Posso jogar centralizado ou aberto. E mostro aquela raça e vontade que a torcida pede.

Sondado por Santos e São Paulo no passado e até por clubes da Europa, como PSV (HOL) e Arsenal (ING), Jabá tem na ponta da língua o que espera no Timão:

– Quero fazer história aqui!

- Léo explica o apelido "Jabá"

Durante a entrevista ao L!, Léo lembrou alguns casos e causos de sua infância. Em um deles, o jogador explicou a origem do curioso apelido: o pai de um amigo, impressionado com a força de seu chute, deduziu que Léo gostava de... Jabá, como popularmente é chamada a carne seca!

– Jabá eu ganhei de um amigo do meu pai, no Fundação, chutei bola pra ele no amistoso, a bola bateu na barriga dele e ele não conseguia voltar. Aí o amigo do meu pai falou “você come jabá pra chutar forte assim, seu apelido vai ser Léo Jabá”. E pra piorar aqui na rua tem o Jabá do Ribamar! (risos) Mas nem de jabá eu gosto – contou.

- Bate-bola com Léo Jabá, atacante do Corinthians, ao LANCE!:

Ao mesmo tempo que já é uma aposta do Corinthians, você só tem 17 anos e ainda faz coisas de garoto, certo? Como concilia isso?
Já estou acostumado. Estou no último ano da escola, aqui perto de casa mesmo, em um colégio público. É um pouco difícil por conta das viagens, jogos, mas procuro conciliar. Nunca repeti e minha mãe fica no pé, a gente não sabe o dia de amanhã, é importante estudar e se preparar.

Você se acha parecido com o Guerrero? Quantas vezes já te falaram sobre a semelhança?
Milhares. Muitas mesmo (risos). Hoje mesmo depois do treino estava esperando meu pai ali no jardim do Parque São Jorge, quando passou um senhor e me reconheceu. Ele disse que gostava do meu futebol e brincou: “Agora que o Guerrero saiu, você podia mudar seu nome para Léo Guerrero”. Eu só dei risada.

O que achou da ideia?
Melhor deixar Léo Jabá mesmo (risos). Até brinco com o pessoal que é melhor logo eu cortar o cabelo carequinha para ficar igual ao meu ídolo, o Sheik.

Ele é uma espécie de padrinho seu, não é? Como começou isso?
Conheci o Sheik no Corinthians, pelo sobrinho dele, o Lucas. Quando o menino é novo, eu dou um apoio, acolho, e não sabia que o Lucas era parente dele. Um dia ele contou e me chamou para um churrasco na casa do Emerson. Desde então só foi crescendo nossa amizade. A gente troca mensagens até hoje. Dediquei um gol a ele recentemente. Posso dizer que ele é como um pai no futebol para mim, está sempre me apoiando e me cobrando, diz que tem que estar sempre evoluindo, futebol é momento.

Muita gente critica o Corinthians por não dar chance aos jovens, mas a diretoria está tentando mudar isso. Você já percebeu alguma diferença nesse tempo?
O Corinthians está abrindo as portas para a base. Desde janeiro tem integração, eles conversam, olham pra base, tem muito talento lá... Antes eu não tinha proximidade. Depois que estreei, passei a conhecer várias pessoas. O pessoal do profissional está sempre vendo os jogos e treinos.

LANCE!

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