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Paraná - 25 anos: a origem centenária de oito clubes

No dia 19 de dezembro de 1989, Colorado e Pinheiros se unem para dar origem ao Paraná Clube

19 dez 2014
19h33
atualizado às 19h50
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Nesta sexta-feira, o Paraná Clube completa 25 anos de história. De clube mais rico do País e com domínio no estado nos anos 90, o time paranaense vive uma crise financeira retratada pelos sete anos na Série B do Campeonato Brasileiro. O Terra preparou um especial que conta a trajetória de 1989 até 2014.

De oito grandes nasceu um gigante

<p>Oito clubes de Curitiba, ao todo, formam o Paraná Clube "centenário"</p>
Oito clubes de Curitiba, ao todo, formam o Paraná Clube "centenário"
Foto: Facebook / Reprodução

Fruto da fusão entre Colorado e Pinheiros, pode-se dizer que o Paraná chega neste ano completando um século. O nome não é o mesmo, mas com oito clubes formadores, a história paranista começa em 1914, com o surgimento de algumas equipes e uma certa confusão para entender toda sua origem.

O Leão FC e o Tigre FC se uniram para fundar o Britânia Sport Clube, em homenagem à Grã-Bretanha. O time nasceu vencedor, conquistando o hexacampeonato entre o ano da fundação e 1923. No mesmo ano do Britânia, em 14 de julho de 1914, nasceu o Savoia. No final de 1914, surge o EC Água Verde. Já em 7 de janeiro de 1921, nasce o Palestra Itália. Com origem italiana, a equipe teve que mudar de nome devido à 2ª Guerra Mundial: começou com Paranaense e, depois, mudou para Comercial e Palmeiras, mas em 1950, voltou a se chamar Palestra Itália.

No dia 12 de janeiro de 1930, nasce o Ferroviário, que ficou famoso por sua numerosa torcida e pela construção do Estádio Durival Britto e Silva, a Vila Capanema, que foi sede da Copa do Mundo do Brasil em 1950 e era o terceiro maior do País na época – perdendo para Maracanã e São Januário. Em 1942, o Savoia também muda de nome para Esporte Clube Brasil; porém dois anos depois, o governo proíbe a utilização do "Brasil", e o clube volta a ser chamado de Água Verde. Em 1971, Britânia, Palestra Itália e Ferroviário fundem-se para formar o Colorado Esporte Clube. No mesmo ano, o Água Verde passa a se chamar Esporte Clube Pinheiros. Ambos formariam, 18 anos depois, um novo e último clube: o Paraná.

O início com a fusão

Em uma época em que empresas começavam timidamente a se unir para dominar o mercado, dois times de Curitiba pensaram em juntar as forças que possuíam para reinar no futebol curitibano. Em junho de 1988, em sua agência de publicidade, o colorado Zeno José Otto fez uma pesquisa para ver o potencial da torcida do Pinheiros, aceita por Waldomiro Perini. Após analisar os dados foi possível perceber que o número de torcedores não crescia – mesmo tendo vencido dois títulos e jogando finais nos últimos anos.

Três representantes de cada clube se reuniram em um restaurante e definiram detalhes no papel de guardanapo
Três representantes de cada clube se reuniram em um restaurante e definiram detalhes no papel de guardanapo
Foto: Paraná Clube / Divulgação

Passados alguns dias, quatro representantes pinheirenses e três do Colorado se encontraram novamente no mesmo local para iniciar a possibilidade real da fusão. "Diversas questões foram colocadas em discussão, com simplicidade e objetividade. Foi muito interessante", relembra Darci Piana, que viria a ser o segundo presidente da história paranista. "Tudo correu bem e nada ficou decidido. Só um ano e muitas reuniões depois é que as coisas ganharam corpo", completou Erondy Silvério, conselheiro do Pinheiros na época.

Depois disso, uma nova reunião com seis pessoas de cada lado foi aprimorando a ideia. O nome Paraná era unanimidade, mas algumas divergências no uniforme e no símbolo fizeram com que o projeto de novo clube fosse concluído apenas em um almoço em um restaurante no bairro Santa Felicidade, em setembro de 1988. Na ocasião, Darci Piana, Dely Macedo e Raul Trombini (Colorado), e Jorge Celestino Buso, Aramis Tissot e Ocimar Bolicenho (Pinheiros) definiram o nome, as cores, a camisa, os símbolos e a distribuição patrimonial.

Após seis meses discutindo detalhes do estatuto, duas assembleias foram realizadas para debater a aprovação da fusão no mesmo horário. Na Vila Capanema, dos 600 colorados presentes, apenas dois votaram contra, enquanto na sede da Kennedy, de 2.800 pinheirenses, 81 discordaram da união. Assim, no dia 19 de dezembro de 1989, Colorado e Pinheiros deram origem à nova potência: Paraná Clube, com Aramis Tissot como presidente do biênio 1990-1991.

A peneira para formar o elenco

A missão de fazer uma peneira entre os jogadores de Colorado e Pinheiros ficou com um reconhecido treinador. Tricampeão brasileiro entre 1975 e 1977, com Internacional (duas vezes) e São Paulo, Rubens Minelli assumiu o Paraná e ainda trouxe outros profissionais: o auxiliar e treinador de goleiros Valdir de Moraes (defendeu o Palmeiras na década de 60, com passagens pela Seleção Brasileira) e o preparador físico Carlinhos Neves (que trabalhou no Atlético-MG em 2014).

"Foi um momento ao mesmo tempo difícil e gratificante, pois sabíamos do potencial do clube e tratamos de dar o melhor para equacionar o problema de seu elenco. Recebemos cerca de 50 jogadores, vindos da fusão, mesclados entre atletas mais experientes e garotos revelados nas categorias de base", recordou. 

O primeiro gol da história

Sérgio Luiz (à esq, agachado) fez o primeiro gol da história do clube
Sérgio Luiz (à esq, agachado) fez o primeiro gol da história do clube
Foto: Paraná Clube / Divulgação

Nascido no dia 14 de novembro de 1962, na capital paranaense, Sérgio Luiz está marcado na história do Paraná Clube. Começou a jogar futebol nas categorias de base do Colorado, em 1981. Seis anos depois se transferiu para o Pinheiros e, no ano da fusão entre os dois clubes, estava no Joinville. Comprado em janeiro, o atleta esteve na estreia do Paraná como titular.

Entretanto, ficou conhecido no segundo jogo oficial do novo clube, diante do Cascavel, no dia 11 de fevereiro de 1990, na vitória por 1 a 0, na Vila Capanema. No final do jogo, aos 41min do 2º tempo, a torcida tricolor explodiu pela primeira vez. Sérgio Luiz, o "Pinduca", aproveitou o vacilo do goleiro do interior ao disputar a bola pelo alto e balançou as redes do Durival Britto e Silva ao chutar quando a bola caiu, fazendo a festa dos torcedores. Uma placa, oferecida por uma rádio, pode ser vista no antigo acesso ao vestiário do estádio em homenagem ao feito. O ponta direita do Paraná, que jogava com a camisa 7, atuou até 1992 e realizou 75 partidas pela equipe.

Fonte: PGTM Comunicação - Especial para o Terra PGTM Comunicação - Especial para o Terra
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