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Lusa tenta adiar leilão do Canindé e busca investidor para salvar clube

15 set 2016
13h02
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Em uma crise financeira e esportiva que parece não ter fim, a Portuguesa assistirá a capítulos decisivos de sua história nos próximos meses. Próximo de ser rebaixado à Série D do Campeonato Brasileiro, o clube tenta a impugnação do leilão de parte da área de seu estádio, o Canindé, e busca investidores para comprar o terreno e saldar as dívidas do clube.

Em entrevista coletiva concedida na manhã desta quinta-feira, o presidente José Luiz Ferreira de Almeida convocou a imprensa para explicar a má fase pela qual a Lusa passa há pelo menos uma década e as medidas que tomará para tentar evitar o fim de um dos clubes mais tradicionais do Brasil.

Com mandato só até o fim de 2016 e sem o desejo de seguir no poder, o mandatário esclareceu que o leilão, marcado para o dia 7 de novembro, se dá em função de um processo impetrado pelo Banco Luso Brasileiro, cobrando o pagamento de um empréstimo efetuado no começo dos anos 2000. A dívida foi paga, em 2014, por dois avalistas.

No entanto, a Portuguesa não conseguiu quitá-la na sequência, tendo 45% do terreno - parte que pertence ao clube -, que já estava penhorado por processos trabalhistas, levados a leilão com lance inicial avaliado em R$ 154 milhões.

"A Portuguesa não tinha chance de cobrir a dívida. O processo andou e houve uma avaliação do terreno em R$ 154 milhões no fim do ano passado. O valor foi homologado em abril deste ano. A Portuguesa perdeu o prazo para impugnar esse valor e a Justiça determinou que o terreno, que já estava penhorado, fosse a leilão", relatou Ferreira, na esperança de ao menos conseguir adiar o procedimento.

"Agora a Portuguesa está tentando suspender o leilão por uma impugnação específica, utilizando advogado de renome, que estão ajudando a Lusa", acrescentou o dirigente, revelando que até a conta de água da Sabesp estava em atraso quando assumiu a presidência.

"A Portuguesa consegue viver por receitas pontuais, a situação não está boa, mas coloquei muita coisa em dia. Tinha muita coisa atrasada, a gente não pagava água de um período de 2015 até abril", lamentou.

Os outros 55% da área do clube, localizado na Zona Norte da capital, pertencem à Prefeitura de São Paulo e, portanto, não podem ser penhorados ou ir a leilão. Segundo o presidente, que é também advogado, o dinheiro arrecadado não bastaria para saldar o total das dívidas, oriundas desde 2004 por conta de contratos de jogadores com os quais a Portuguesa não tinha condições financeiras para cumprir na época.

Por isso, José Luiz Ferreira tem a convicção de que, neste momento, apenas um investidor que comprasse o terreno da Lusa e da prefeitura, remodelando o estádio e construindo um clube vertical, salvaria a Portuguesa das dívidas. O presidente admitiu que está em negociações com a imobiliária Kauffmann.

"O investidor não irá comprar a Portuguesa. Existe uma tratativa no momento. É uma ideia. Depois, o investidor acertaria as dívidas da Portuguesa, principalmente as trabalhistas, remodelar essa área, construindo uma nova arena. Não é a melhor saída, mas é a que dá início à ideia de remodelar o Canindé", disse o mandatário, que avisou que não pretende continuar à frente da Portuguesa pelos próximos anos.

"Eu entendo que, se eu conseguir salvar a Portuguesa, vou conseguir dar um norte ao clube. Eu tenho minhas coisas no escritório, depende muito do que vai acontecer, a minha ideia é não me candidatar", concluiu.

Dentro de campo, a situação não é menos crítica. Neste domingo, às 16 horas (de Brasília), a Portuguesa enfrentará a Tombense, na cidade de Tombos, pela última rodada da primeira fase da Série C. A equipe paulista precisa vencer e torcer para um tropeço do Macaé, que enfrenta o Botafogo de Ribeirão Preto, no Rio de Janeiro. Caso essa combinação de resultados não aconteça, a Lusa cairá para a quarta divisão nacional.

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