Futebol

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18 de setembro de 2013 • 07h39

Andarilha, Cristiane estreia no Brasileiro feminino "para ficar"

Cristiane retoma carreira no futebol brasileiro
Foto: Getty Images

Maior artilheira da história dos Jogos Olímpicos, a atacante Cristiane está de volta ao futebol brasileiro. Depois de diversas experiências no exterior, desta vez a intenção é ficar definitivamente nos gramados brasileiros. Animada com o patrocínio que permitiu a retomada do Campeonato Brasileiro feminino, Cristiane se mostra esperançosa de que finalmente a modalidade poderá ter uma calendário consolidado, que permita desenvolver o esporte.

“Se mantiver o campeonato nos próximos anos, quero ficar. Retornei da Coreia para não sair de novo. Só sairia se chegasse ao extremo de a modalidade estar ruim, sem patrocínio. Como teve esse primeiro passo, minha intenção é permanecer aqui”, afirma Cristiane. Entre idas e vindas ao futebol brasileiro, a jogadora já passou pela Alemanha, Estados Unidos, Rússia, e recentemente, na Coreia do Sul, onde defendeu o Goyang.

Aos 28 anos e com três Olimpíadas no currículo, a atacante é o principal nome do Centro Olímpico, clube paulista que estreia no campeonato nesta quarta-feira, medindo forças contra o Duque de Caxias, do Rio de Janeiro. O jogo está previsto para às 15h (de Brasília), no Estádio Romário de Souza Faria, conhecido como Marrentão, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Cristiane ainda é nome incerto na partida, já que sua documentação não foi regularizada. O Centro Olímpico corre para acertar a papelada e garantir a presença de sua estrela na estreia do Brasileiro feminino.

E diante da situação do elenco, a regularização de Cristiane é prioridade. Recentemente, o Centro Olímpico perdeu patrocínio e teve que reduzir os salários das jogadoras. Algumas não aceitaram e deixaram o time. Além disso, algumas atletas estão cedidas à Seleção Brasileira. Atualmente, o clube conta com 14 atletas à disposição para o início do Brasileiro. “Está um grupo super reduzido. Retornei da Coreia sabendo da realidade, mas vim para ajudar de alguma maneira, com o que seja, para poder ajudar em busca de patrocínio”, observa Cristiane.

Atleta pede clubes tradicionais no futebol feminino

O fortalecimento do Brasileiro de futebol feminino poderá passar pela entrada de clubes tradicionais, que têm longa história no masculino, opina Cristiane. Para ela, as chamadas “equipes de camisa” ajudariam a levar público aos estádios, aumentariam o interesse pelo futebol feminino. Das equipes que disputam a Série A do masculino, apenas o Vasco mandará a campo um time no Brasileiro que começará nesta quarta-feira.

Uma liga organizada, e com times de tradição, poderia provocar ainda a atração de jogadoras estrangeiras, acrescenta Cristiane. Segundo ela, várias atletas que atuam no exterior já demonstraram desejo de ter alguma experiência no futebol brasileiro.

“O clube de tradição é um atrativo maior para as atletas que estão fora. Quando joguei fora, as estrangeiras sempre perguntavam como era no Brasil, falavam que tinham vontade de vir. Mas não tinha uma liga, uma estrutura, e não dava para elas virem para cá. Com os clubes de camisa investindo, é um atrativo a mais para elas virem”, comenta, destacando que um calendário fixo poderia atrair também brasileiras que jogam no exterior.

“Sendo organizado, e se mantendo nos anos seguintes, é um atrativo para as brasileiras que estão fora, e para as estrangeiras também. Isso não aconteceu nunca. Aumentaria o nível técnico, a gente sabe da qualidade das estrangeiras”, completa.

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